Celulite: como ela muda em cada fase da vida da mulher

Alterações hormonais ajudam a explicar por que a celulite pode surgir, mudar de intensidade e ficar mais evidente ao longo da vida

Celulite pode ser abordada com cuidados corporais, orientação profissional e avaliação individual
Celulite pode ser abordada com cuidados corporais, orientação profissional e avaliação individual Foto : Freepik / Divulgação / CP

A celulite é diretamente influenciada por variações hormonais sofridas ao longo da vida. A condição, rara em homens, afeta 95% das mulheres após a puberdade, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), e os hormônios de cada fase do corpo feminino são os responsáveis por influenciar o surgimento, a intensidade e o lugar onde as celulites aparecem.

Para a médica Nívea Bordin Chacur, da clínica Leger, o movimento de compreender o que ocorre no corpo aparece com frequência no consultório. “Hoje muitas mulheres chegam querendo entender por que a celulite muda tanto”, afirma. “Já não é só sobre aparência, mas sobre o que está acontecendo com o corpo em cada fase”, indica.

Conhecida popularmente como celulite, a condição aponta para os depósitos de gordura sob a pele. Seu surgimento pela primeira vez costuma acontecer ainda na adolescência, acompanhando as transformações hormonais e a formação do corpo feminino.

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O aparecimento da celulite logo após a puberdade concentra a maior parte da gordura em regiões como coxas e glúteos. Segundo o médico Roberto Chacur, este processo é natural. “Mesmo sendo mais leve, já indica como esse padrão pode evoluir ao longo dos anos”, explica.

Já na fase adulta, a celulite costuma ficar mais perceptível e até mudar ao longo do mês. Alterações hormonais, retenção de líquido, uso de anticoncepcionais e mesmo a rotina influenciam na aparência da pele. “O corpo responde de forma mais sensível a essas variações, por isso a celulite pode parecer mais intensa em alguns momentos e mais leve em outros”, afirma Roberto.

Durante a gravidez e no pós-parto, há um novo cenário. A celulite tende a se intensificar devido à retenção de líquido, às mudanças na circulação e às transformações hormonais.

Na menopausa, outra mudança. A queda do estrogênio interfere na firmeza da pele e na distribuição da gordura, o que pode deixar os ‘furinhos’ mais evidentes e persistentes.

Causas e fatores agravantes

A causa da celulite não é conhecida, como aponta a SBD, mas fatores hereditários, como sexo, etnia, biotipo corporal e distribuição de gordura, indicam ligação com a manifestação dos sintomas. Embora ocorra em todas as etnias, por exemplo, a condição é mais comum entre mulheres brancas.

Apesar de não confirmados, pois ainda pouco estudados, os dermatologistas sugerem que existem fatores agravantes para o surgimento da condição. Hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, estresse, gravidez, medicamentos como anticoncepcionais e fumo são os principais fatores lembrados pela SBD.

Como cuidar da celulite sem promessas irreais

Embora não exista uma forma única de evitar ou tratar a celulite, a SBD orienta que os cuidados passem por hábitos de vida mais saudáveis, como reduzir o consumo de açúcar e gorduras, beber água e praticar exercícios físicos, incluindo atividades aeróbicas e musculação, que podem ajudar na redução de gordura corporal e na firmeza da pele.

O Ministério da Saúde também destaca que tratamentos como drenagem linfática, radiofrequência, ondas acústicas e ultrassom podem apresentar melhora em alguns casos, mas geralmente precisam estar associados a mudanças de hábitos para ter melhor resposta. A recomendação é evitar promessas milagrosas e buscar avaliação com dermatologista, especialmente porque a celulite envolve fatores hormonais, hereditários, circulatórios e de estilo de vida.

Assim, mais do que buscar uma solução rápida, o cuidado com a celulite deve considerar o corpo em sua totalidade: alimentação equilibrada, hidratação, movimento, redução do tabagismo quando houver, acompanhamento profissional e expectativas realistas sobre os resultados.