O consumo de suplementos vitamínicos se popularizou e passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas. Seja por praticidade, influência das redes sociais ou promessa de mais disposição, saúde e beleza, é comum encontrar quem recorra a cápsulas como um atalho para uma vida mais saudável.
No entanto, muitas dúvidas cercam o uso, como por exemplo: será que suplementar é realmente necessário para todos? Essas substâncias funcionam da mesma forma que os nutrientes dos alimentos? E quais são os riscos de tomar vitaminas sem orientação? Pensando nesses questionamentos, a professora de Nutrição da FADERGS Rochele Boneti explica o funcionamento dos suplementos vitamínicos. Confira a seguir:
💊 O que são suplementos vitamínicos?
Suplementos vitamínicos são produtos elaborados para fornecer ao organismo determinadas vitaminas, minerais, aminoácidos e fitonutrientes que, por algum motivo, não estão sendo ingeridos em quantidade suficiente por meio da alimentação. Eles costumam ser comercializados em cápsulas, comprimidos, tabletes ou pó.
Esses produtos devem ser utilizados com responsabilidade e apenas após avaliação de um profissional da área da saúde. “O uso de suplementos só é indicado quando o indivíduo não atinge as necessidades diárias de nutrientes, conforme sua idade e condição de saúde. É o nutricionista quem deve avaliar se realmente há uma deficiência e qual suplemento deve ser utilizado”, pontua a especialista.
🤔 Quem realmente precisa tomar suplementos?
Embora os suplementos vitamínicos sejam facilmente encontrados em farmácias e lojas especializadas, isso não significa que todos devam utilizá-los. O uso desses produtos deve ser reservado para situações específicas, em que há uma indicação clínica da real necessidade de complementar a alimentação.
Há períodos em que as demandas do organismo aumentam, como durante a gestação, a amamentação ou o envelhecimento. Pacientes em tratamento médico, atletas de alta performance e pessoas que seguem dietas muito restritivas, como veganos ou alérgicos a certos alimentos, também podem se beneficiar da suplementação, desde que com o devido acompanhamento profissional.
“Suplementar não é para todo mundo”, ressalta Rochele.
Segundo a nutricionista, trata-se de uma ferramenta terapêutica que deve ser usada a partir de critérios profissionais e individualização do paciente, respeitando as particularidades de cada organismo e sempre com orientação especializada.
🥗 Alimentação natural x suplementação
Um dos maiores equívocos é pensar que tomar vitaminas em cápsulas traz os mesmos benefícios que consumir alimentos ricos em nutrientes. De acordo com a docente, essa comparação não é tão simples.
“As vitaminas obtidas pela alimentação vêm em conjunto com outros nutrientes importantes, como fibras, antioxidantes e minerais, que trabalham de forma sinérgica no organismo. Já os suplementos muitas vezes contêm apenas um ou poucos nutrientes isolados, além de poderem incluir corantes e aditivos químicos”, indica.
O Brasil possui uma das maiores diversidades de alimentos naturais do mundo. É possível atender à maior parte das necessidades nutricionais por meio de uma alimentação equilibrada, colorida e variada.
A professora de Nutrição da FADERGS reforça que o melhor caminho é sempre começar pela base: os hábitos alimentares. “Um bom plano alimentar consegue suprir a maior parte das necessidades de vitaminas e minerais. Só em casos específicos é que se constata a necessidade de suplementação, com base em exames clínicos, bioquímicos e hábitos de vida”, conclui Rochele.
