Gravidez após os 40: riscos, cuidados e o que muda

Fertilidade diminui com a idade e alguns riscos aumentam, mas planejamento e pré-natal individualizado ajudam a tornar a gestação mais segura

Quem deseja engravidar após os 40, o acompanhamento médico pode começar antes mesmo do teste positivo
Quem deseja engravidar após os 40, o acompanhamento médico pode começar antes mesmo do teste positivo Foto : Magnific / Divulgação / CP

A gravidez após os 40 voltou ao centro das conversas com anúncios recentes de mulheres conhecidas do público. Aos 48 anos, a jornalista Maju Coutinho revelou que espera o primeiro filho. Sabrina Sato está grávida aos 45, enquanto a atriz Anne Hathaway, aos 43, espera o terceiro filho. Gisele Bündchen também viveu recentemente uma gestação nessa faixa etária: aos 44 anos, teve o terceiro filho, em 2025.

Os casos ajudam a dar visibilidade a uma maternidade que acontece cada vez mais em diferentes momentos da vida. Mas, para além das histórias individuais, engravidar depois dos 40 envolve questões importantes relacionadas à fertilidade, à saúde da mulher e ao acompanhamento da gestação.

Segundo a ginecologista e obstetra Karoline Prado, a idade, sozinha, não determina como será uma gravidez, mas precisa ser considerada na avaliação médica. “A gravidez após os 40 anos não deve ser encarada como uma impossibilidade nem como sinônimo automático de uma gestação de alto risco. Porém, é uma fase em que alguns riscos obstétricos e fetais aumentam e, por isso, o acompanhamento precisa ser individualizado e, muitas vezes, mais cuidadoso. A idade é apenas um dos fatores que precisamos considerar”, explica.

Fertilidade diminui com o avanço da idade

Antes mesmo da gestação, uma das principais mudanças ocorre na fertilidade. A mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, e tanto a reserva ovariana quanto a qualidade dessas células diminuem com o passar dos anos.

Esse processo se torna mais acentuado a partir dos 35 anos e interfere nas chances de uma gravidez espontânea. Com o envelhecimento dos óvulos, também aumenta a possibilidade de alterações cromossômicas.

Isso não significa que seja impossível engravidar naturalmente depois dos 40, mas as chances são menores do que em faixas etárias mais jovens. “A idade dos óvulos é um fator importante. Com o passar dos anos, aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas e também pode haver maior dificuldade para engravidar. Por isso, para quem deseja postergar a maternidade, conversar previamente com um especialista pode ser muito importante para entender as possibilidades, inclusive quando há interesse em preservação da fertilidade”, afirma Karoline.

O anúncio da gravidez de Maju Coutinho também colocou novamente em pauta o congelamento de óvulos. Antes de engravidar, a jornalista já havia falado publicamente sobre ter recorrido ao procedimento enquanto refletia sobre o desejo de ser mãe e as expectativas sociais em torno da maternidade.

Quais riscos podem aumentar após os 40?

Durante a gravidez, a idade materna mais avançada está associada ao aumento da ocorrência de algumas complicações, entre elas hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Também cresce a probabilidade de alterações cromossômicas no bebê. Por isso, o pré-natal pode incluir avaliações e exames específicos, definidos de acordo com a idade, o histórico de saúde e as características de cada gestação.

Doenças já existentes antes da gravidez, como hipertensão, diabetes, obesidade e alterações da tireoide, também entram nessa avaliação. “O mais importante é não olhar apenas para a idade da gestante. Uma mulher de 42 anos saudável pode ter uma evolução completamente diferente de outra mulher da mesma idade que apresenta hipertensão, diabetes, obesidade ou alguma doença pré-existente. Por isso, o planejamento da gravidez e a avaliação clínica antes mesmo da concepção são tão importantes”, destaca Karoline.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) também chama a atenção para os distúrbios hipertensivos na gravidez. A pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento da pressão arterial durante a gestação associado a outros sinais clínicos, exige acompanhamento porque pode trazer complicações para a mãe e para o bebê.

O cuidado pode começar antes da gravidez Para quem deseja engravidar após os 40, o acompanhamento médico pode começar antes mesmo do teste positivo. Na chamada consulta pré-concepcional, o médico avalia aspectos como histórico clínico e reprodutivo, medicamentos em uso, vacinação, pressão arterial, glicemia, peso, funcionamento da tireoide e hábitos de vida.

Veja Também

Dependendo da avaliação, também podem ser indicados ajustes na alimentação, atividade física, medicamentos, suplementação e controle de doenças crônicas. “Quando existe planejamento, conseguimos identificar e corrigir previamente muitos fatores que podem interferir na gestação. Avaliar a saúde da mulher antes de engravidar permite fazer ajustes na alimentação, atividade física, medicamentos, suplementação e controle de doenças crônicas, quando necessário. É uma oportunidade de começar a gravidez nas melhores condições possíveis”, orienta a médica.

Após a confirmação da gestação, o pré-natal acompanha tanto a saúde da mulher quanto o desenvolvimento do bebê. Exames laboratoriais, ultrassonografias e outros testes podem ser solicitados conforme cada caso.

Exames genéticos podem fazer parte do pré-natal

Como a possibilidade de alterações cromossômicas aumenta com a idade materna, o aconselhamento sobre exames de rastreamento e diagnóstico também ganha importância. Existem testes capazes de estimar o risco de determinadas alterações e outros que podem confirmar diagnósticos.

A indicação depende da avaliação médica, do histórico da gestante e também da decisão da própria mulher após receber as informações sobre benefícios, limitações e possíveis riscos dos procedimentos. A idade, portanto, é um elemento importante na condução do pré-natal, mas não funciona isoladamente.

Famosas ampliam a conversa, mas cada gravidez é única

A maternidade de mulheres como Maju Coutinho, Sabrina Sato, Anne Hathaway e Gisele Bündchen ajuda a romper com a ideia de que existe um único momento da vida para ter filhos. Ao mesmo tempo, histórias de celebridades não devem ser tomadas como parâmetro para todas as mulheres.

Sabrina, aos 45 anos, espera o primeiro filho com Nicolas Prattes e já é mãe de Zoe. Anne Hathaway, aos 43, está grávida do terceiro filho. Maju, aos 48, vive a primeira gestação. São trajetórias diferentes, assim como são diferentes as condições de saúde e fertilidade de cada mulher.

“É positivo vermos mulheres falando sobre maternidade em diferentes fases da vida, porque isso ajuda a quebrar a ideia de que existe um único momento considerado "certo" para ser mãe. Mas também precisamos ter cuidado para não transformar histórias individuais em uma regra. Cada mulher tem uma reserva ovariana, uma condição clínica, um histórico reprodutivo e uma realidade diferente”, ressalta Karoline.

Para a especialista, informação e planejamento são mais úteis do que estabelecer uma fronteira rígida entre o que seria uma gravidez “normal” e uma gravidez considerada tardia. “A gravidez após os 40 pode evoluir muito bem, mas não deve ser romantizada nem tratada com alarmismo. O caminho mais seguro é entender os riscos individuais, fazer um bom planejamento e manter um pré-natal adequado. A medicina existe justamente para acompanhar cada gestação de acordo com as necessidades daquela mulher e daquele bebê”, enfatiza.