Lipedema vai além da estética e afeta autoestima de mulheres

No Junho Roxo, especialistas alertam para os impactos do lipedema. Porto Alegre terá caminhada nacional de conscientização

Lipedema provoca dor, inchaço e impacto na autoestima, mas ainda é uma doença pouco diagnosticada entre mulheres
Lipedema provoca dor, inchaço e impacto na autoestima, mas ainda é uma doença pouco diagnosticada entre mulheres Foto : Magnific / Divulgação / CP

Dor constante nas pernas, sensação de peso, inchaço frequente, hematomas sem explicação e dificuldade para perder gordura em regiões específicas do corpo. Sintomas que muitas mulheres convivem durante anos acreditando serem apenas questões estéticas podem esconder uma doença crônica ainda pouco diagnosticada: o lipedema.

A condição, que atinge predominantemente mulheres, é caracterizada pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura, principalmente em pernas e braços. Mas o impacto não aparece apenas no corpo. Vergonha, baixa autoestima, isolamento social e a sensação de não ser compreendida também fazem parte da rotina de muitas pacientes.

Segundo a médica Iris Santos, o lipedema precisa ser visto para além da aparência. “O lipedema é uma doença inflamatória crônica que causa dor real. Não é apenas estética. Muitas pacientes relatam dificuldade até para realizar atividades simples do dia a dia, como caminhar ou ficar muito tempo em pé”, explica.

A especialista também chama atenção para o sofrimento emocional associado à doença. “A vergonha do próprio corpo e a sensação de não ser compreendida levam muitas mulheres ao isolamento. É um sofrimento silencioso, que precisa ser reconhecido e tratado de forma integral”, afirma.

O tema ganha força em junho, mês de conscientização sobre o lipedema, conhecido como Junho Roxo. No dia 11, é lembrado o Dia Mundial de Combate ao Lipedema. A campanha busca ampliar a informação sobre sintomas, diagnóstico precoce e tratamento adequado, especialmente porque a doença ainda é frequentemente confundida com obesidade, retenção de líquidos ou falta de atividade física.

“Muitas mulheres passam anos ouvindo que aquilo é apenas obesidade, retenção de líquido ou falta de atividade física. O lipedema é uma doença real, progressiva e que precisa de acompanhamento especializado. Quanto antes houver diagnóstico, melhores são as chances de controle dos sintomas e melhora na qualidade de vida”, explica a médica Ana Flávia Andrade.

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A médica integrativa Ana Delgado reforça que a abordagem deve considerar a individualidade de cada paciente. Conforme a especialista, por envolver fatores hormonais, inflamatórios, circulatórios e linfáticos, o lipedema exige acompanhamento individualizado e multidisciplinar. Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada e os sintomas podem ser amenizados com tratamento adequado.

“Por detrás de todo o desconforto físico da doença, há também o desconforto estético e emocional que gera um grande impacto na autoestima das mulheres, que pode acarretar em sentimentos de vergonha ou até mesmo no isolamento social”, destaca o nutricionista Danillo Freitas.

Conscientização e mobilização nacional

Como parte das ações de conscientização, a ONG Movimento Lipedema, braço social do Instituto Lipedema Brasil, promoverá no dia 5 de julho de 2026 uma mobilização nacional e internacional sobre a doença. A caminhada reunirá mulheres, familiares, profissionais de saúde e apoiadores em 26 cidades confirmadas no Brasil e no exterior. Porto Alegre está entre os municípios participantes.

“A proposta é mostrar que nenhuma mulher está sozinha nessa caminhada. Mais do que uma ação simbólica, o evento busca ampliar o debate público sobre diagnóstico, acolhimento e qualidade de vida das portadoras de lipedema”, destaca Gabriela Pereira, presidente da ONG Movimento Lipedema.

Segundo o médico Fábio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, os encontros terão diferentes formatos em cada região, mas com um objetivo comum: promover troca de experiências, fortalecimento emocional e conscientização social sobre uma doença que impacta diretamente a qualidade de vida das pacientes.

A participação é gratuita e aberta ao público. Além de Porto Alegre, estão confirmadas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Campo Grande, Boston, nos Estados Unidos, e Porto, em Portugal. Excepcionalmente, Belém realizará a caminhada no dia 28 de junho.

A mobilização também antecede novas ações previstas para agosto, quando a ONG pretende ampliar a visibilidade do tema no país com iniciativas de informação, conscientização e novos formatos de debate.

Serviço

Caminhada de conscientização sobre o lipedema

  • Data: 5 de julho de 2026
  • Local: Porto Alegre e outras cidades do Brasil e do exterior
  • Participação: gratuita e aberta ao público
  • Informações: Instagram @ongmovimentolipedema