PMMA: Mitos e verdades sobre preenchimento definitivo na estética

Usado em preenchimentos definitivos, o PMMA não é absorvido pelo organismo e pode causar complicações graves a longo prazo

PMMA voltou ao centro do debate após casos graves ligados a preenchimentos corporais
PMMA voltou ao centro do debate após casos graves ligados a preenchimentos corporais Foto : Magnific / Divulgação / CP

A morte recente de uma paciente após um procedimento estético com preenchimento glúteo reacendeu o alerta sobre o uso do PMMA, sigla para polimetilmetacrilato. A substância, que há anos preocupa especialistas, voltou ao centro do debate por envolver riscos importantes, especialmente quando aplicada em grandes volumes ou fora das indicações médicas reconhecidas.

O PMMA é um polímero sintético usado em algumas situações específicas de saúde, como correções reparadoras. No entanto, não é indicado para procedimentos com finalidade estética, como aumento de glúteos ou preenchimentos corporais para ganho de volume. O principal ponto de atenção é que, diferentemente de outros preenchedores absorvíveis, ele permanece no organismo.

Segundo o cirurgião plástico Marcio Harada, esse caráter permanente aumenta a complexidade em caso de complicações. “O grande problema do PMMA é que ele é um preenchimento permanente. Depois que o paciente coloca, ele permanece no organismo e, na maioria dos casos, só pode ser retirado por meio de cirurgia”, afirma.

Por que o PMMA preocupa especialistas

Entre os riscos associados ao uso inadequado da substância estão embolia pulmonar, necrose, infecções, migração do produto, formação de nódulos e reações inflamatórias. As complicações podem surgir logo após a aplicação ou aparecer anos depois, o que torna o acompanhamento médico ainda mais importante.

“Se partículas atingirem um vaso sanguíneo, elas podem migrar pela circulação e provocar complicações graves, como o tromboembolismo pulmonar. Além disso, o produto pode causar necrose, infecções e reações inflamatórias severas”, alerta Harada.

Outro problema é que a retirada do produto nem sempre é simples. Como o PMMA pode se integrar aos tecidos, a remoção costuma exigir cirurgia e, em muitos casos, não é possível retirar todo o material aplicado.

Grandes volumes aumentam o risco

O uso de grandes quantidades de PMMA para fins estéticos é um dos pontos mais sensíveis do debate. Quanto maior o volume aplicado, maior tende a ser o risco de reações locais e sistêmicas.

De acordo com o cirurgião plástico, pacientes submetidos a grandes volumes podem apresentar complicações mais complexas, incluindo quadros graves de hipercalcemia, condição caracterizada pelo excesso de cálcio no sangue, que pode comprometer o funcionamento dos rins.

“O paciente precisa entender que preenchedores permanentes podem gerar complicações permanentes. Nenhum procedimento é isento de riscos, principalmente quando envolve substâncias permanentes”, destaca o médico.

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Mitos e verdades sobre o PMMA

PMMA é igual aos preenchedores comuns?
Mito. A substância é permanente e não é absorvida pelo organismo, ao contrário de preenchedores temporários usados em muitos procedimentos estéticos.

Pode causar complicações graves?
Verdade. Entre os riscos estão infecções, necrose, embolia pulmonar, migração do produto e reações inflamatórias importantes.

Se houver problema, medicamentos resolvem?
Mito. Antibióticos e corticoides podem controlar alguns quadros, mas nem sempre eliminam a causa. Em situações recorrentes ou graves, pode ser necessário tratamento cirúrgico.

A remoção é simples?
Mito. A retirada do PMMA é difícil, pode exigir cirurgia extensa e nem sempre consegue remover todo o produto.

O risco só existe quando o procedimento é feito por pessoas sem formação médica?
Mito. A falta de qualificação aumenta o perigo, mas o PMMA continua sendo uma substância de risco mesmo quando aplicado por profissionais habilitados. A indicação precisa ser criteriosa.

As reações podem surgir anos depois?
Verdade. O organismo pode reagir ao produto como um corpo estranho, formando nódulos, inflamações e infecções tardias.

Para Harada, a decisão de realizar qualquer procedimento com substâncias injetáveis precisa ser tomada com responsabilidade, após avaliação médica e esclarecimento sobre riscos, benefícios e alternativas. “ Como se trata de um produto permanente, a decisão precisa ser tomada com muita responsabilidade e consciência”, finaliza.

Em caso de dor intensa, vermelhidão, febre, secreção, endurecimento, alteração de cor na pele ou mal-estar após um procedimento, a orientação é procurar atendimento médico qualificado.