Testosterona para mulheres: especialistas alertam para uso inadequado e riscos à saúde

Entidades médicas reforçam que não há respaldo científico para o uso com fins estéticos, de emagrecimento ou rejuvenescimento

FEBRASGO e outras organizações se unem para combater a desinformação a respeito do hormônio
FEBRASGO e outras organizações se unem para combater a desinformação a respeito do hormônio Foto : Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) em conjunto com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DCM –SBC), divulgam nota de alerta sobre os riscos e limitações quanto ao uso de testosterona em mulheres. Acesse o comunicado na íntegra clicando aqui.

“Só há indicação médica respaldada por evidências para prescrição de testosterona em situações muito específicas, como o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres na pós-menopausa e, mesmo assim, somente depois de avaliarmos e descartarmos outras causas para essa condição. Não existe indicação isenta de riscos para uso de testosterona com fins estéticos, aumento de massa muscular, emagrecimento ou rejuvenescimento. Toda mulher deve procurar um médico qualificado antes de iniciar qualquer terapia hormonal”, alerta a presidente da FEBRASGO, Maria Celeste Osorio Wender.

Quando a testosterona é realmente indicada?

De acordo com as diretrizes internacionais e nacionais, a testosterona só deve ser utilizada em mulheres após a menopausa com diagnóstico de transtorno do desejo sexual hipoativo. Ainda assim, é fundamental realizar uma avaliação completa para descartar outros fatores como alterações hormonais (como a queda de estrogênio), depressão, efeitos colaterais de medicamentos, problemas de relacionamento e questões emocionais.

As entidades que assinam a nota esclarecem que NÃO existe recomendação para o uso de testosterona nas seguintes situações:

• Ganho de massa muscular;
• Emagrecimento;
• Rejuvenescimento;
• Melhora de disposição ou energia;
• Prevenção de doenças cardiovasculares;
• Regulação hormonal durante a menopausa.

Outro ponto de atenção diz respeito aos implantes subcutâneos manipulados de testosterona, que não possuem aprovação da Anvisa, apresentam dosagens imprevisíveis e estão associados a maior risco de efeitos colaterais.

A dosagem de testosterona no sangue também não é necessária como rotina para investigar baixa libido em mulheres, exceto nos casos em que há suspeita de excesso hormonal, como casos relacionados à síndrome dos ovários policísticos ou tumores hormonais.

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“Em tempos de pseudociência e divulgação de tantas notícias falsas, errôneas e com informações pela metade, a FEBRASGO reafirma o seu papel na divulgação e na consolidação da informação científica de qualidade”, comenta Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO.

Entre os principais riscos do uso inadequado do hormônio, a nota menciona o excesso de pelos no rosto e corpo, acne, queda de cabelo, alterações no colesterol, problemas hepáticos, risco cardiovascular aumentado, voz mais grossa e características masculinas e dependência psicológica.

“Nosso compromisso é com a saúde da mulher. É preciso combater os mitos que circulam nas redes sociais e alertar sobre os reais riscos do uso indiscriminado de testosterona. Mais do que prometer resultados rápidos, nosso objetivo é garantir qualidade de vida, com segurança e rigor científico”, finaliza a presidente da FEBRASGO.