A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a organização norte-americana National Rosacea Society. Caracterizada pela vermelhidão persistente na região central do rosto, a condição é mais comum em mulheres a partir dos 30 anos e costuma ser confundida com outros problemas dermatológicos, como a acne.
Nos últimos anos, o aumento do interesse por skincare ajudou a trazer mais visibilidade para o tema, mas ainda existem muitos aspectos pouco conhecidos sobre a rosácea. Você sabia, por exemplo, que ela pode ser subdiagnosticada em peles negras? Ou que o simples hábito de tomar café quente pode piorar os sintomas?
Para esclarecer essas e outras questões, a dermatologista Paula Yume, gerente médico-científica de Profuse, marca de dermocosméticos do Aché Laboratórios, explica como identificar, cuidar e tratar a rosácea de forma eficaz. Confira:
1. A rosácea é subdiagnosticada em peles pardas e negras
A rosácea é mais comum em tipos de pele mais claros, especificamente nos fototipos I e II da escala conhecida como Fitzpatrick (peles extremamente brancas e brancas).
“Essa condição é frequentemente subdiagnosticada em pessoas com pele mais escura devido à dificuldade em identificar os sinais clássicos, como a vermelhidão e os vasinhos dilatados, que são menos visíveis nesses tons de pele”, explica Paula.
Além disso, é preciso observar outros sinais indicativos, como a presença de pápulas e pústulas na região central do rosto. “É importante considerar a rosácea no diagnóstico diferencial de pacientes com histórico de sensibilidade da pele, mesmo quando os sinais clássicos são menos evidentes.”
2. A alimentação pode interferir na rosácea
A dieta a rosácea, embora a relação exata ainda esteja sendo estudada, afirma a dermatologista. Alimentos e bebidas em temperatura quente, picantes ou álcool podem atuar como gatilhos para exacerbações. Por outro lado, vegetais, peixes oleosos, azeite de oliva e nozes demonstram potencial para reduzir a inflamação da pele.
“O café merece atenção especial no tratamento da rosácea”, afirma. “Quando ingerido muito quente, pode atuar como gatilho de piora dos sintomas. Porém, estudos indicam que a cafeína pode ter um efeito protetor devido às suas propriedades vasoconstritoras e imunossupressoras locais.”
3. Estresse piora a rosácea
O estresse emocional aumenta a atividade do sistema nervoso simpático da pele, podendo intensificar a dilatação dos vasos e o rubor facial característico da rosácea. “Pacientes com rosácea apresentam respostas aumentadas a eventos de estresse, tanto mental quanto físico, o que pode exacerbar significativamente os sintomas”, observa a dermatologista.
A poluição do ar também pode ser um gatilho para quem tem predisposição. “A poluição induz estresse oxidativo na pele através de espécies reativas de oxigênio, piorando a inflamação e as alterações vasculares típicas da condição. Por isso, a proteção da pele contra agressores externos é fundamental.”
4. Quem tem rosácea pode se queimar mais fácil ao se expor ao sol
A radiação ultravioleta é um fator agravante importante para a rosácea. “A exposição à radiação UV, especialmente UVB, pode piorar a inflamação e a proliferação de vasinhos na pele de indivíduos com rosácea. Estes pacientes demonstram uma sensibilidade aumentada, precisando de menor quantidade de radiação para apresentar queimaduras”, alerta a médica.
Por isso, é fundamental que pessoas com rosácea minimizem a exposição solar e utilizem proteção solar diariamente. Além do sol, fatores como climas extremos (muito quentes ou muito frios), vento e exercícios físicos intensos também podem desencadear ou piorar os sintomas em alguns pacientes.
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🤔 Como tratar a rosácea?
Segundo a dermatologista, “a rosácea é considerada um tipo de pele sensível, que necessita de cuidados específicos para manter a barreira cutânea íntegra”. É uma pele que pode reagir negativamente a produtos irritantes como álcool, mentol e algumas fragrâncias. Esfoliantes físicos ou ácidos fortes, assim como o uso de buchas e água quente, devem ser evitados.
Ela recomenda uma rotina básica que inclui: limpeza suave sem sabão e sem fragrância, com pH equilibrado; hidratação com produtos para pele sensível contendo ativos calmantes como niacinamida, alantoína, camomila e centella asiática; e proteção solar diária.
“Além dessa rotina de cuidados, cada paciente pode necessitar de tratamentos específicos conforme o quadro clínico, desde medicamentos tópicos como ivermectina, metronidazol e ácido azeláico, até procedimentos como luz intensa pulsada ou laser em casos mais avançados.” Assim, é essencial consultar um dermatologista para entender quais os produtos e tratamentos indicados para cada caso.
