Um grupo de, pelo menos, sete capivaras foram avistadas pastando tranquilamente no gramado ao lado do Arroio Dilúvio entre as avenidas Edvaldo de Pereira Paiva e Borges de Medeiros sem se preocupar com as pessoas e veículos que passavam pela região. Em um determinado momento, os animais de tamanhos diferentes, parecendo ser um adulto e os demais filhotes, deixaram o gramado próximo a foz do Guaíba e ao talude e entraram na água. Passaram por baixo da ponte da Edvaldo Pereira Paiva e subiram na grama na parte inferior do talude, próximo a rua Manoelito de Ornellas.
A capivara é o maior roedor mamífero herbívoro do planeta e é encontrado na América do Sul e Central. O animal, que pode chegar a 75 kg, apresenta hábito semiaquático, sendo encontrada em áreas associadas a cursos de água, lagos ou açudes, onde se protege de predadores e se reproduz. Capivaras são animais sociais que vivem em grupos de até 20 indivíduos. Seus hábitos são diurnos, com pico de atividades no período vespertino e crepuscular.
— Correio do Povo (@correio_dopovo) May 12, 2025
Por serem animais dóceis, eles não se incomodam com a presença de seres humanos. Como herbívoros, as capivaras se alimentam dos vegetais próximos as margens. O ideal é que as pessoas não entrem em contato físico.
“As pessoas não devem interferir. Eles são animais bonitos e, por ser dócil, pode ser um problema quando os seres humanos desejam alimentá-los, por exemplo. Por não saber do que elas se alimentam, acabam querendo dar alimentos para os animais. Ela come capim, então, não precisa alimentar e nem fazer nada com a Capivara”, destacou o professor e doutor Pedro Maria de Abreu Ferreira da Escola de Ciências da Saúde e da Vida, Laboratório de Ecologia de Interações, da PUCRS.
VÍDEO | Um grupo de capivaras foi avistado no arroio dilúvio próximo da ligação com o Guaíba neste final de semana
— Correio do Povo (@correio_dopovo) May 12, 2025
📹Carmelito Bifano pic.twitter.com/3dXdfGX58z
Eles são animais territoriais, mas que não protegem território contra um humano, por exemplo. Só entre eles mesmos os da mesma espécie. Geralmente liderados por um macho e o grupo fica submisso a ele, que toma todas as decisões. Por se encontrarem em uma região com fluxo de pessoas, a tendência é que, com o tempo, elas fiquem um pouco mais aclimatados à presença dos humanos.
“Se acontecer de uma pessoa ir lá e tentar fazer carinho numa capivara, ela vai fugir, provavelmente, correndo para dentro do rio e vai desaparecer”, revelou. “Pelo que sei, o grupo está sendo monitorado. A presença dos animais é algo interessante para a cidade. Porto Alegre ter uma população de fauna silvestre acessível a população, que as pessoas possam observar de certa distância, pode ser um atrativo turístico (como ocorre em outras capitais). São animais símbolos do nosso país e só temos que deixar eles viverem sem interferências”, finalizou Ferreira.
Matar e perseguir capivaras é crime
Matar capivaras é considerado um crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) e o Decreto nº 6.514/08. A lei proíbe a caça, captura, abate e qualquer forma de utilização de animais silvestres, incluindo a capivara, sem a devida autorização da autoridade competente.
A Lei de Crimes Ambientais, em seu artigo 29, estabelece que é crime “matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”. Essa lei também estabelece penas de detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem cometer esse tipo de crime. Além da apreensão da arma de fogo ou outro objeto usado no crime, da carne ou produto da caça, além da proibição futuras de atividades que envolvam fauna silvestre.
Denúncias podem ser feitas para o Batalhão Ambiental da Brigada Militar através do telefone (51) 9.8437-6920. Caso ocorra risco de vida do animal, a prefeitura de Porto Alegre também pode ser acionada pelo número 156 nas 24 horas do dia.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pede que aqueles que presenciarem alguém caçando ou matando capivaras façam a denúncia do crime através do telefone 0800-618080. Ou ainda ao Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do RS pelo (51) 3295.1179.
