Parte da equipe paulista responsável pela operação emblemática que resultou no resgate e salvamento do Cavalo Caramelo, no bairro Mathias Velho, em Canoas, durante os eventos climáticos que devastaram as cidades gaúchas em maio de 2024, retornaram ao Rio Grande do Sul para reencontrar com o animal, símbolo de esperança e resiliência. O professor e médico veterinário, Leonardo Castro, junto com o também médico veterinário Fábio Thut, e o bombeiro civil e auxiliar veterinário, João Vitor Marques, viajaram 13 horas de Sorocaba até Canoas e estiveram nesta quarta-feira com Caramelo, nas dependências da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), onde o animal agora vive, saudável e em permanente cuidado.
"Ele está muito diferente, empoderado e viril. O comportamento dele e o emocional estão ótimos. Ele também está com saúde orgânica e clínica totalmente recuperada. Conseguimos perceber através do pelo, do score corporal e do olhar, da expressão facial. O cavalo é muito expressivo e é um animal muito sensível. Agora ele tem um olhar de paz, de tranquilidade e reinado. Agora ele está reinando", disse o professor Castro, lembrando que no momento do resgate Caramelo tinha uma expressão de aflição.
"Em cima do telhado, ele estava extremamente vulnerável. O cavalo demonstra muito isso, com a expressão do corpo. Hoje vive do jeito que ele merece. Isso é gratificante. Não há dinheiro no mundo que pague você ter essa sensação de dever cumprido. Nós sabemos que, infelizmente, perdemos muitas vidas humanas, mas ver Caramelo, o grande símbolo, talvez, nos faça refletir sobre as dificuldades."
Os resgatistas relataram que chegar a Canoas, neste momento, foi um misto de estranheza e felicidade, pois eles conheciam a região apenas inserida aquele cenário de devastação e sofrimento, em que as pessoas transitavam ou de barco ou de aeronave, em meio a resgates e salvamentos. "Foi um choque de realidade. Isso impacta muito a gente. Não tem como não mexer com nosso emocional", comenta o professor.
USO DE BOTE E SEDAÇÃO DO ANIMAL
Após permanecer por cerca de cinco dias isolado sobre o telhado de uma residência, cercado pela água, o animal, visivelmente desidratado, foi salvo em uma operação de alta complexidade que exigiu técnica, planejamento, sensibilidade e trabalho conjunto. A ação foi conduzida por uma força-tarefa formada por bombeiros de São Paulo e do RS, além de cinco médicos veterinários e voluntários que se uniram em um esforço coletivo.
Com duração de aproximadamente seis horas, o resgate exigiu o uso de um bote reforçado e a sedação do animal, que pesava cerca de 400 quilos, na época, garantindo segurança em cada etapa da operação. "Nós não tínhamos a localização exata, era uma localização aproximada. Nós remodelamos toda a operação. A primeira ideia era tentar retirá-lo por aeronave. Essa era a primeira proposta. A última hipótese era colocar ele dentro do bote, anestesiado. No final, foi a que prevaleceu", lembra Castro, contente de ver Caramelo bem.
