Cerca de 355 espécies de vertebrados vivem no campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Entre eles estão quatro seriemas. Segundo a bióloga Marilise Mendonça Krügel, que também é professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da universidade, os animais apareceram em 2024. "Temos um casal que se reproduziu no campus ano passado. Os quatro vivem em ambiente campestre e começamos a vê-los no final do ano passado. Acompanhamos por vários meses a família", garante.
Ela conta que a partir deste mês, os animais entram em um novo período reprodutivo. "É esperado que os filhotes se afastem dos pais e que o casal, provavelmente se reproduza novamente no campus, mas ainda não achamos o ninho", relata. No mês passado foi registrado um incidente com uma aluna do curso de Terapia Ocupacional que foi "atacada" por uma seriema. "Desde então, não tivemos novos registros de casos semelhantes. Recebi um vídeo de uma seriema circulando sem interação agressiva com os humanos", confirma.
A professora diz que não sabe explicar a causa da agressão, mas alerta que os animais estão vivendo em ambiente urbano, o que é estressante, por mais que estejam ambientados no campus, neste período é normal que as espécies fiquem mais agressivas. "Nesta época elas defendem seus ninhos, seus ovos. Com isto, assim que descobrirmos o ninho vamos ter que tomar medidas para afastá-lo das pessoas", garante.
Orientações
Ela orienta que as pessoas cuidem a velocidade de veículos no campus e não se aproximem dos animais, nem para fotos, ou qualquer interação que deixe os animais estressados. Em nota, a universidade solicita que não sejam oferecidos alimentos a estes ou quaisquer outros animais silvestres. O Setor de Planejamento Ambiental da UFSM realizou consulta à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), responsável pela licença ambiental concedida à universidade.
A orientação é que, por se tratarem de animais silvestres de vida livre e em aparente bom estado de saúde, não há indicação técnica para remoção do ambiente universitário. "A retirada dos animais poderia acarretar em impactos negativos à fauna local, razão pela qual a medida não é recomendada", destaca a nota.
