As semanas que antecedem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) costumam ser marcadas por uma mistura de expectativa, ansiedade e cobrança. Neste ano, as provas serão realizadas nos dias 9 e 16 de novembro, faltando, a partir desta quinta-feira (18 de setembro), 52 dias até a primeira aplicação. No Pará, devido à realização da COP-30, os candidatos de Belém, Ananindeua e Marituba farão as provas em 30 de novembro e 7 de dezembro.
O período de preparação é visto por muitos estudantes como decisivo, já que o desempenho no Enem pode abrir as portas para universidades públicas e privadas, bolsas de estudo e programas como o Sisu, Prouni e Fies.
Essa relevância amplia a pressão: é comum que jovens passem a dedicar horas a fio aos estudos, eliminem momentos de lazer e aumentem a cobrança sobre si mesmos. Especialistas, no entanto, ressaltam que o caminho para o sucesso não está apenas na quantidade de horas de estudo, mas no equilíbrio entre disciplina, descanso e saúde emocional.
“Mais do que a quantidade de horas estudadas, o que faz diferença é a qualidade da preparação. Estudantes que respeitam seus limites e mantêm uma rotina equilibrada costumam apresentar melhores resultados”, afirma Fabiana Santana, assessora pedagógica do programa de educação socioemocional Líder em Mim.
O desafio de manter o foco sem perder o bem-estar
A reta final de preparação, segundo psicopedagogos, pode agravar quadros de ansiedade e estresse se o estudante não souber dosar o ritmo. Sintomas como insônia, cansaço mental, irritabilidade e até isolamento social tendem a aparecer quando a rotina se torna exclusivamente focada no exame.
A pedagoga explica que a cobrança excessiva pode ser prejudicial tanto para o desempenho quanto para a saúde geral. “É essencial adotar estratégias que preservem o equilíbrio físico e emocional nesse período. O excesso de pressão pode sabotar todo o esforço acumulado ao longo do ano”, reforça Fabiana.
Com base em recomendações de professores, diretores de escola e especialistas em saúde emocional, reuniu-se oito estratégias práticas para atravessar os próximos 52 dias até a prova com serenidade, produtividade e equilíbrio.
Respeite seus limites
A primeira orientação é simples, mas nem sempre fácil de aplicar: estudar sem ultrapassar o próprio limite. O cronograma deve ser realista e conter tempo para pausas, lazer e descanso. Jessé Valério, diretor geral da Unidade São José do Rio Preto da Start Anglo Bilingual School, alerta para sinais de exaustão. “Alunos emocionalmente estáveis tendem a apresentar alta performance acadêmica. Se o estudante insiste em ignorar sintomas como dores de cabeça ou dificuldade de concentração, pode comprometer a preparação.”
Não se compare com outros candidatos
Cada estudante aprende em um ritmo e de formas distintas. Comparar-se com colegas que aparentam estar mais adiantados ou mais confiantes é um erro comum. “Aprendizado é particular. Alguns absorvem melhor lendo, outros resolvendo exercícios. O importante é confiar no processo próprio”, lembra Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, da Somos Educação.
Faça pausas estratégicas
Estudos em neurociência comprovam que o cérebro precisa de descanso para consolidar informações. Técnicas como o método Pomodoro, que intercala 25 minutos de estudo com 5 de pausa, ajudam a manter produtividade. Maysa Barreto, da plataforma Redação Nota 1000, lembra que pausas físicas, como alongamentos e exercícios respiratórios, contribuem para reduzir a tensão corporal.
Inclua atividades prazerosas
Lazer não é perda de tempo, mas um aliado. Ouvir música, caminhar, assistir a filmes ou praticar hobbies ajuda a reduzir a ansiedade e aumenta a criatividade. “O Enem deve ser visto como uma oportunidade de mostrar conquistas, não como um obstáculo”, afirma João Paulo de Oliveira Silva, assessor pedagógico do Eduall.
Evite excesso de simulados
Os simulados são importantes, mas devem ser feitos com reflexão. O risco é a frustração quando não há tempo para analisar erros. Yan Luz, coordenador da rede Anglo Alante, explica que “a sensação de progresso vem da análise dos erros e acertos, não apenas da repetição dos testes”.
Reconheça os sinais de sobrecarga
Ansiedade intensa, alterações de apetite e isolamento social são sinais de alerta. Escolas já trabalham em protocolos de suporte socioemocional. Na Beacon School, por exemplo, há um modelo de suporte multinível (MTSS) para acolher alunos e, se necessário, encaminhá-los a psicólogos externos, explica Maria Laura Sanchez Toca, coordenadora do Student Well-Being Center.
Entenda que a prova não define quem você é
O Enem é importante, mas não é o único critério de sucesso. “Cada indivíduo tem suas próprias habilidades e talentos. Já acompanhei estudantes que não alcançaram o resultado esperado, mas encontraram outras rotas para seus projetos de vida”, comenta Arthur Bertagia de Souza, coordenador da FourC Bilingual Academy.
Use a leitura como aliada emocional
A literatura pode ajudar a lidar com emoções e fortalecer o equilíbrio psicológico. Laura Vecchioli do Prado, coordenadora da Somos Literatura, recomenda obras como Aqui Dentro Há Um Longe Imenso, Os 13 Porquês e A Árvore do Medo, que abordam identidade, sentimentos e relações humanas.
Os próximos 52 dias: como organizar o tempo
Especialistas sugerem dividir a preparação em etapas:
- Agora até 30 dias antes: revisar conteúdos, fazer simulados com análise e praticar redações.
- 30 a 15 dias antes: reforçar pontos fracos e evitar novos conteúdos; simular a rotina do dia da prova.
- Última semana: desacelerar, revisar de forma leve e manter uma rotina de sono regular, alimentação equilibrada e foco no bem-estar.
Dormir bem, manter atividade física leve e cuidar da alimentação fazem parte da preparação. Alunos que conseguem respeitar esses pilares chegam ao exame em melhores condições cognitivas e emocionais.
Embora a reta final concentre expectativas, os especialistas reforçam que a preparação não se resume a esses dois meses. O equilíbrio entre desempenho e saúde deve ser cultivado ao longo de toda a jornada escolar. O Enem é apenas uma etapa nesse processo, e não o ponto final.