Manifestantes protestam em Porto Alegre contra arquivamento e pedindo justiça no caso do cão Orelha

Cão, localizado morto em Florianópolis, se tornou símbolo da luta pela causa animal

Ato reuniu defensores da causa animal no Parque Farroupilha
Ato reuniu defensores da causa animal no Parque Farroupilha Foto : Alina Souza

Manifestantes se reuniram na manhã deste domingo, no Parque da Redenção, em Porto Alegre, para um protesto pedindo justiça no caso Orelha, cão comunitário encontrado morto em Florianópolis (SC), e cujo laudo final apontou a causa de sua morte, após uma eutanásia, devido a uma “condição grave e preexistente”, segundo concluiu o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que pediu o arquivamento do caso, homologado pela Justiça catarinense em maio.

Com camisetas, cartazes e inclusive uma manifestante com um fantasia, eles fizeram uma mobilização local, que ao longo dos meses vem se somando a atos em outros locais do país. Alguns tutores com seus animais de estimação também estiveram presentes. “Aquela movimentação que havia historicamente perdeu força nos últimos anos, e a questão animal, ao mesmo tempo, começou a assumir um novo contorno, porque, de um certo modo, houve o sentimento de proximidade do ser humano com os animais, e por isso este movimento surgiu”, comentou o advogado Dirceu Callegari.

Ele foi um dos que participaram do ato, reunindo dezenas de pessoas junto ao Monumento ao Expedicionário. Eles também relembraram outro ato, ocorrido em Porto Alegre, relacionado com a causa animal, a morte do cão Branquinho, ocorrida em novembro de 2025, no bairro Coronel Aparício Borges, que foi morto a golpes de picareta. O Ministério Público gaúcho (MPRS) denunciou à Justiça, no final de maio, o casal responsável pelo ato. As agressões foram registradas por câmeras de monitoramento.

“Na verdade, o Orelha virou um símbolo, porque ela acaba envolvendo muito o que ocorre no Brasil como um todo. No caso dele, há todo um conjunto de evidências e indícios, no caso do veterinário que fez o primeiro atendimento dele, imagens do porteiro do condomínio, imagens de pessoas próximas. Fica a dúvida: será que as instituições agiram com o devido zelo, o devido caráter institucional? Como cidadãos, queremos a verdade e a justiça”, disse Callegari.

De acordo com o MPSC, foram analisados quase dois mil arquivos, entre laudos técnicos, vídeos, imagens e dados apreendidos, atestando que Orelha e adolescentes não estiveram juntos na área da Praia Brava, onde o cão foi localizado, no momento da suposta agressão, e que o animal sofria de grave doença. A manifestação tem 170 páginas e foi assinada por três Promotorias de Justiça.

Veja Também