A segunda fase da Operação Carrasco, deflagrada pela Polícia Civil em Canoas nesta segunda-feira, prendeu a principal suspeita de ordenar a prática de eutanásias sem necessidade em animais. Além disso, a investigação se debruçou sobre um agente policial, que teria fornecido informações privilegiadas dentro do esquema que ainda envolve estelionato e associação criminosa.
O delegado regional Cristiano Reschke relatou que houve o cumprimento de medidas cautelares para coleta de provas e, se comprovada a participação, o policial civil também deverá ser indiciado no caso.
Além da prisão da ex-secretária do Bem-Estar Animal Paula Lopes, outras duas pessoas foram detidas no decorrer da Operação Carrasco. Duas veterinárias que executavam os procedimentos também foram presas por participação no esquema, já que, segundo a polícia, tinham conhecimento das circunstâncias e ainda assim realizavam as eutanásias.
A ofensiva da Polícia Civil tem como símbolo o cão “Dudu”, que era exibido pela investigada como caso de resgate por ter parte das patas dianteiras amputadas, enquanto a Polícia Civil apura se animais com perfil semelhante acabavam sendo levados à morte.
A investigação aponta que a estratégia consistia em expor animais debilitados para mobilizar doações via Pix, com a promessa de tratamento. No entanto, conforme apurado, parte desses cães e gatos, mesmo com possibilidade de recuperação, era submetida à eutanásia.
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Ordem era executar
De acordo com a Polícia Civil, mensagens obtidas durante a investigação mostram que veterinários chegaram a sugerir exames e alternativas antes de qualquer decisão, mas recebiam orientação para seguir com a eutanásia. “Há registros claros de que, mesmo sem confirmação de diagnóstico, a ordem era executar. Isso agrava ainda mais a situação”, disse o delegado.
A delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, afirma que a prática era reiterada e estruturada ao longo dos anos. “Enquanto protetora, o interesse era exclusivamente financeiro. É um modo de operação que se repete, com utilização da imagem dos animais para captar recursos”, explicou.
Ela também destacou o impacto do caso. “Mesmo com anos de polícia, é algo que choca. Acho que nunca vi algo parecido, porque são atos cruéis. Eu diria que é uma assassina em série”, afirma.
A apuração indica que, desde 2020, foram realizadas centenas de campanhas virtuais, mobilizando milhares de doadores. Parte dos valores arrecadados era destinada a contas ligadas ao instituto da investigada e, posteriormente, transferida para uso pessoal.
