Cenário no Oriente Médio pode influenciar preços de combustíveis no Brasil

Acordo entre Israel e Hamas deve aumentar a disponibilidade de petróleo no mundo e ajudar a baixar valor

Mercado mundial terá cada vez mais quantidade do produto
Mercado mundial terá cada vez mais quantidade do produto Foto : BP Petroleum / Divulgação / CP Memória

Você sabe o que os conflitos internacionais têm a ver com a economia do Brasil? O recente cessar-fogo na Faixa de Gaza, por exemplo, impacta diretamente o preço do petróleo e, consequentemente, afeta o valor dos combustíveis. Isso porque o acordo entre Israel e Hamas deve aumentar a disponibilidade de óleo no mundo. E, quando há mais oferta, o preço do barril diminui.

“O Oriente Médio é uma rota importante de combustíveis e os (rebeldes) Houthi estavam atacando muitos navios, causando um impacto no transporte de petróleo e mercadorias”, explicou o economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS Adalmir Marquetti.

Com o declínio do custo do transporte e também da incerteza neste mercado, a disponibilidade da commodity nesta região tende a elevar gradativamente ao longo dos próximos meses. “O petróleo está sendo negociado em torno de 80 dólares no mercado internacional, dependendo do tipo de petróleo. À medida que a gente sai do inverno no hemisfério Norte (que demanda mais combustível para aquecimento) e que, de fato, tenha paz no Oriente Médio, a gente pode esperar, nos próximos meses, se nada diferente acontecer, a manutenção dos preços ou a redução para valores relativamente menores do que estamos observando hoje”, avaliou o professor.

Associado a isso, Marquetti também cita a recente posse do novo presidente dos EUA, Donald Trump, como outro fator de incremento da oferta. O republicado tem afirmado, desde a época da campanha, que pretende incentivar a produção americana. Com isso, o mercado mundial será inundado por mais e mais petróleo. Nesta quinta-feira, Trump ainda pediu que a Arábia Saudita e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) baixem o custo do combustível. “Se o preço fosse mais baixo, a guerra entre Rússia e Ucrânia terminaria imediatamente”, disse, justificando a solicitação, em um discurso on-line no Fórum Econômico Mundial.

Consumidor final

Para a redução do preço do petróleo, motivada pelo aumento da oferta do produto, chegar às bombas brasileiras, dependemos do câmbio, alertou o professor Adalmir Marquetti. “A queda nos preços ao consumidor final só vai acontecer se houver desvalorização do dólar, ou seja, se o real se valorizar frente ao dólar, e também se ocorrer significativa queda no preço internacional. Do contrário, o mais provável é que o preço permaneça em valores similares ao que a gente tem observado”, salientou.

Esta semana, o dólar caiu a menos de R$ 6, o que não acontecia desde novembro do ano passado. A avaliação dos investidores é de que Trump será mais comedido e estratégico na adoção de tarifas de importação. Por isso, a percepção sobre os riscos à economia global ficou mais positiva, o que beneficiou as moedas de países emergentes exportadores de commodities, como o Brasil.

Atento a esse cenário, o Banco Central fez dois leilões de dólares também esta semana. Essa medida representa a primeira intervenção da autoridade monetária no câmbio este ano. A ideia é injetar novos recursos no mercado. Portanto, existe a expectativa que o dólar decline no Brasil e, com isso, contribua para queda dos preços.