Economia Simples

Como a exportação afeta o preço dos alimentos

Produtores recebem mais retorno financeiro ao venderem para outros países e serem remunerados em dólar

Soja é uma das culturas priorizadas nas áreas plantadas do Brasil
Soja é uma das culturas priorizadas nas áreas plantadas do Brasil Foto : Wenderson Araujo / Agência Brasil / Divulgação / CP

Uma das justificativas do Copom para aumentar a taxa de juros, a Selic, de 13,25% para 14,25% nesta quarta-feira, foi o aumento do preço dos alimentos. Antes disso, o Executivo já havia anunciado medidas para conter a escalada de preços, como a retirada do imposto de importação de alguns produtos.

Para entender o que está por trás dessa alta, um estudo da FGV aponta dois fatores principais: o clima e o foco nas exportações. A influência do tempo é fácil de entender – secas e chuvas em excesso reduzem a oferta e fazem os preços subirem. Mas e a prioridade de vendas para o exterior?

Trata-se de uma estratégia simples: com o dólar alto, vender para fora é mais vantajoso. O agricultor recebe em moeda estrangeira, garantindo um retorno financeiro maior.

O estudo assinado pelo economista Luiz Guilherme Schymura destaca que o Brasil não está produzindo comida suficiente para o próprio mercado. Isso acontece porque parte das lavouras que antes produziam alimentos para consumo interno, como frutas e verduras, passou a abrigar culturas como soja e milho, mais rentáveis e voltadas à exportação.

Os números confirmam essa mudança. A área total plantada no país cresceu de 65,4 milhões de hectares em 2010 para 96,3 milhões em 2023. Mas essa expansão ocorreu quase exclusivamente por conta da soja e do milho. Sem essas duas culturas, o número praticamente não mudou: 29,1 milhões de hectares em 2010 contra 29,3 milhões em 2023.

O resultado é que produtos essenciais para a mesa dos brasileiros ficam mais escassos – e caros. O câmbio alto favorece exportações e encarece a produção, impactando diretamente o bolso do consumidor.

Na prática

No dia a dia, as pessoas têm feito inúmeras estratégias para driblar os preços, principalmente pesquisando, como já foi indicado aqui na coluna. Ao mesmo tempo, quem vende procura adotar algumas ferramentas para não perder os clientes. A supermercadista Michele Monaco conta que procura fazer um planejamento de estoque.

“No Grupo Monaco Atacado, adotamos uma estratégia de mercado que nos permite minimizar os impactos das oscilações de preços para nossos clientes. Sempre que identificamos produtos com tendência de aumento, buscamos antecipar compras e fazer estoques estratégicos. Dessa forma, conseguimos segurar os reajustes e repassar os aumentos gradualmente, evitando variações bruscas para o consumidor final”, destaca a empresária.

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