Falta um pouquinho mais de dois meses. O ano já tem gosto de fim. Em um 2026 marcado por endividamento das famílias e taxa Selic nos dois dígitos, quem quiser tentar resolver as dívidas até dezembro precisa acelerar o passo. Durante essa semana a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas divulgou números da inadimplência. O país registrou 75,05 milhões de brasileiros com contas em atraso em setembro, 2,07% mais na comparação com os 73,53 milhões de consumidores que estavam devendo em agosto. O dado considerado o maior da história do levantamento da Confederação corresponde a 44,67% da população adulta, ou seja, quase metade das pessoas com a vida financeira bagunçada. E além das pessoas físicas, as empresas com contas em atraso são 9,3 milhões no país, segundo a Serasa Experian. Desse total, 8,8 milhões são pequenas e micro. Na análise por estado o Rio Grande do Sul é quinto colocado nos números da inadimplência no país. São 539 mil pessoas jurídicas precisando botar pagamentos em dia.
Tem muita coisa a fazer até dezembro, e buscar algumas dicas com quem trabalha no ramo é sempre positivo. Natalia Basso, especialista em educação financeira da Serasa Experian, ressalta que muitas vezes não dá para resolver toda a vida financeira de uma vez só, mas é preciso dar o primeiro passo, por mais que a tarefa pareça gigantesca. “E precisamos começar com organização e decisões realistas”, acrescenta. Para isso, alerta a especialista, é importante “conhecer as próprias contas”. Quem acumula pagamentos em atraso perde a visão do todo e, muitas vezes, já nem sabe onde ou quando começou e nem em que pé anda aquele emaranhado de compromissos que parecem não terminar. Pois o velho e bom caderninho segue valendo. Palavras da Natalia: “O primeiro passo é colocar tudo no papel. Quanto dinheiro entra por mês, as despesas fixas, os gastos variáveis, as parcelas em andamento e as contas que precisam ser pagas. Com essa visão geral fica mais fácil analisar”. Assustador ler isso quando o descontrole já tomou conta e qualquer plano que se faça parece não encaixar com a rotina, mas é bom lembrar que dentro de menos de 40 dias tem 13° salário caindo na conta e a solução é uma só para quem precisa de soluções rápidas: usar ao menos essa primeira parcela vai permitir um alento.
NA PRÁTICA
- “O décimo terceiro salário é um aliado. Para quem está endividado, usar esse dinheiro para quitar ou negociar débitos, sobretudo aqueles com juros mais altos, pode ajudar a reduzir o peso das dívidas no orçamento”, enfatiza Natalia.
- E não adianta pensar só se a parcela cabe no bolso. “Para refinanciamento, faz sentido quando é possível trocar uma dívida cara por outra com juros menores”, ensina a especialista.
- É preciso olhar sempre o custo efetivo total da renegociação, o chamado CET, e a taxa oferecida precisa ser menor que a anterior que acabou em atraso. Bom mesmo é quitar à vista.
- E se há credores como bancos e operadoras de cartão que dão até 90% de desconto em alguns casos é importante avaliar. Cada um sabe de seus limites, mas se for possível, vale apostar o abono do Natal nesse objetivo como um ensaio de tempos de paz para 2027.
