“Há poucos dias, este jornal estampava interessante artigo sobre a crise do proibicionismo nos Estados Unidos, inserindo conceitos emitidos por um dos mais destacados publicistas e educacionistas, o dr. N. Murray Butler, presidente da Universidade de Columbia [Nova Iorque]. Vale reler essa opinião autorizada, pela profunda dissensão provocada na grande República do Norte com a famosa ‘lei seca’:
‘É ocasião de falar da imoralidade originada pela décima oitava emenda da Constituição. Em consequência disso, possuímos um tráfico nacional de líquidos alcoólicos ilícito, ilegal, sem registro e sem impostos. Temos introduzido as bebidas alcoólicas em regiões onde elas não eram conhecidas antes e em centenas de comunidades se multiplicaram consideravelmente os armazéns em que podem ser adquiridas. Chegamos a uma situação com a qual alimentamos o engenho e o instinto esportivo de milhões de jovens, a fim de provar se é possível violar uma lei pela qual não se tem respeito algum. Difundimos o espírito de desobediência à lei, com o exemplo das classes mais elevadas da sociedade. A razão de que o proibicionismo não se cumpre consiste em que não se pode cumprir, e não se pode cumprir porque não devia ter sido imposto pela lei. A lei ‘Volstead’ consigna uma falsidade, quando define como prejudiciais certas bebidas que todo o mundo sabe que o não são. [...] Apresenta-se agora um problema moral resultante da política proibicionista: saber se o povo da União há de possuir a inteligência, a perseverança e o valor para arrancar da Constituição a causa odiosa dessa desmoralização experiência e se, seguindo a experiência provada de seu vizinho, o Canadá, poderá adotar um método moral, prático e racional de abolir as tavernas, restringir o tráfico de bebidas e afastar a causa principal do espírito de desobediência à lei nos Estados Unidos’. A questão está presentemente no auge. E uma comissão especial do Senado está fazendo o processo da ‘lei seca’. Essa circunstância é já por si só um triunfo dos ‘molhados’, pois que até não há muito tempo essa lei parecia absolutamente intocável. Não será, porém, fácil derrogá-la ou modificá-la, por isso que os ‘secos’ lançaram mão do arbítrio de inscrever a proibição na Constituição Federal, por intermédio da emenda 18ª, citada pelo dr. Butler. De maneira que será necessária uma nova emenda constitucional para modificar sensivelmente ou revogar a proibição. Os ‘molhados’ compreendem-no bem e por ora limitam-se a pedir a modificação da lei ‘Volstead’, pela qual ficou até proibido o consumo da reparadora e inofensiva cerveja. Nos dois últimos anos, aumentaram muito, na União Norte-Americana, os partidários da derrogação dessa lei, os adversários do proibicionismo, ao menos na forma positivamente tirânica por que está estabelecido. Ninguém pensa na ressurreição do sinistro ‘Saloon’, foco de toda a espécie de imoralidades e caminho de todos os crimes; mas os antiproibicionistas dizem que, entre o ‘Saloon’ e a proibição absoluta, há muita distância intermédia e, na verdade, parece que assim é. Que o fim perseguido pelos ‘secos’ era e continua sendo bom, é indubitável; mas foi levado, na prática, a tais extremos que ocorreu o que sempre se verifica com as leis excessivas: foi muito além do calculado. Atualmente, bebe-se muito álcool nos Estados Unidos, segundo declaram todos os viajantes, e mesmo os próprios ‘ianques’, inclusive os proibicionistas. Mas o álcool que, de qualquer forma, hoje se bebe é mau e caro; de onde o maior lucro dos que o fabricam, importam e vendem às escancaras da lei. Asseguram também os ‘molhados’ que a criminalidade tem aumentado, assim como as enfermidades originadas por preparados fabricados com álcool ruim. Por outro lado, a aplicação da ‘lei seca’ exige um pessoal numerosíssimo, que custa ao erário público muitos milhões por ano sem a certeza plena de que, entre esses funcionários, não haja alguns, ou muitos, que se beneficiem fazendo vista grossa. [...]”
_
Artefatos
“O sr. Francisco Spinelli acaba de oferecer ao Museu Júlio de Castilhos uma coleção de ossos e de artefatos indígenas encontrados numa furna existente na Fazenda do Mathematico, do sr. Francisco da Silva Ferreira, no município de Bom Jesus. Essa furna, num corte em plena rocha, em sentido horizontal, dez metros abaixo da borda superior de um ‘ytayinbé’ de cinquenta metros de profundidade, continha dispersos à flor do solo, ou enterrados sob leve camada de terra, numerosas e interessantíssimas peças, de esqueleto humano e de indumentária, que vieram enriquecer as coleções, já de si dignas de exame, do Museu do Estado. São ossamentas e utensílios de índios de período recente, da época da descoberta e do povoamento. Há um arco para exercício ou brinco de crianças, deveras raro. Foi lastimável que não houvesse sido incorporada ao donativo a esteira de taquara, em perfeito estado de conservação, e que tapava a entrada da furna, entre as suas paredes de linhas retilíneas. Também o sr. Alberto Navarro Lones, que, de velha data, se consagra a colecionar antiqualhas, ofereceu ao museu um curioso saca-rolhas, adquirido há sessenta anos numa casa de ‘ferro velho’ no Rio de Janeiro, que parece ser dos primeiros do século XIX. É um aparelho de excelente fabrico, de bronze, com manivela de marfim, haste dupla, ‘J. F. Lee Patent’, usado pelas classes abastadas de antanho.”
. . . . . . . . . . . . . . .
O dia 6 de maio na história
- 1536 Começa o Cerco de Cuzco, em que os incas tentam retomar a cidade dos invasores espanhóis.
- 1758 Nasce em Arras o advogado e estadista francês Maximilien Robespierre, figura central na Revolução Francesa.
- 1840 Inicia o uso dos primeiros selos postais adesivos na Grã-Bretanha.
- 1856 Nasce em Freiberg in Mähren, no Império Austríaco, o neurologista e fundador da psicanálise, Sigmund Freud.
- 1882 O Congresso americano aprova lei que proíbe a imigração de chineses para os EUA pelo prazo de 10 anos.
- 1932 O presidente francês Paul Doumer é assassinado a tiros em Paris pelo emigrado russo Pavel Gorgulov.
- 1937 O dirigível alemão Hindenburg pega fogo e é destruído em apenas um minuto enquanto tentava pousar em Lakehurst, New Jersey, EUA, matando 36 pessoas.
- 1945 Começa a Ofensiva de Praga, a última grande batalha da Segunda Guerra no fronte oriental.
- 1952 Morre na Holanda a médica e educadora italiana Maria Montessori, famosa pela sua filosofia da educação e método pedagógico.
- 1953 Nasce em Edimburgo o político trabalhista escocês Tony Blair, primeiro-ministro britânico entre 1997 e 2007.
- 1994 Inaugurado o Eurotúnel, passagem ferroviária entre a Grã-Bretanha e a França sob o Canal da Mancha, no Estreito de Dover, com 50,4 quilômetros de extensão.
- 2004 Vai ao ar o episódio final da série televisiva americana “Friends”.
- 2007 Morre no Rio de Janeiro o médico, matemático, escritor e político conservador de extrema-direita Enéas Carneiro.
- 2010 Flash Crash: vários índices das bolsas de valores americanas caem bruscamente em apenas 36 minutos, causando quebra trilionária, recuperando parte da queda alguns minutos mais tarde.
- 2013 Morre em Roma o político italiano Giulio Andreotti, líder da Democracia Cristã e primeiro-ministro em sete governos entre as décadas de 1970 e 1990.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
