“Na sua recentíssima plataforma de sobremesa, defende o sr. Washington Luís a interessantíssima opinião que os homens públicos não devem falar antes de serem escolhidos para as altas funções da República. É a teoria do mutismo aplicada à política e, muito principalmente, ao caso das sucessões presidenciais. Entende o candidato da Convenção que elaborar algum programa político, eleitoral e administrativo equivale a uma apresentação ao eleitorado, por iniciativa própria. Washington, pelo visto, ou antes pelo ouvido, acha que isso não é decente. Naturalmente, s. excia. acha que não fica bem a um homem público mostrar-se ambicioso, muito embora o seja de fato, secretamente, e por todos os meios se empenhe para realizar a sua ambição. Não podemos, infelizmente, concordar com o ilustre anfitrião do banquete de 28. Há uma espécie de ambição que é muito digna, muito honesta, e se justifica plenamente aos olhos de todos. É a ambição que todo o cidadão pode e deve ter de ser útil e de servir a sua Pátria, no posto para que se julgue capaz; é a ambição de alcançar dignamente este posto e nele exercer a sua atividade em benefício do País. O País só tem um meio de saber se o candidato merece efetivamente a posição a que aspira, ou se é apenas um fátuo, um convencido, animado de pretensões descabidas: é conhecer-lhe as ideias. Se, em vez de um candidato com um programa, houver vários candidatos portadores de programas diversos, tanto melhor, porque a Nação poderá então escolher o que mais lhe convenha. O que é absurdo e inexplicável é que qualquer convenção escolha, em nome do povo, para lhe dirigir os destinos, um homem cujas ideias desconhece, cujo pensamento se aferrolha, cujos princípios são um mistério, e que só depois de escolhido e assegurada a eleição chega, afinal, a dizer a que vem, sem outra garantia, para a execução das suas promessas, além de vagas palavras e de afirmações de caráter abstrato.”
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Primeiras edições
Da edição de 1° de janeiro de 1896, quarta-feira, n. 1
A primeira passagem de ano do Correio do Povo
“E terminou o ano de 1895, fechando-se assim, para a história da nacionalidade brasileira, mais um agitado ciclo de lutas. Felizmente, porém, ele, que se iniciara sob os auspícios de era mais promissora, expira entre alentos de esperanças mais legítimas. Com efeito, a terminação da luta armada que por tão longos meses convulsionou o país, e a ascensão do dr. Prudente de Moraes às culminâncias do poder, tinham esboçado, na tela dos acontecimentos, perspectivas em que se lobrigavam as vagas promessas de melhores dias. E eles vieram. A República, livre das comoções que lhe agitavam o organismo todo, enveredou a passo firme para o caminho do progresso e da luz, como a querer fazer da lei a sua égide sagrada, capaz de abrigar todos os bons e de assegurar todos os direitos. Como complemento da benéfica agitação reconstituinte, fez-se a paz no Rio Grande, onde três anos de medonha guerra fratricida haviam cavado ódios tremendos, cuja memória perdurará como um triste exemplo de desolações bem dignas de ser temidas e evitadas pelas gerações futuras! Infelizmente, ainda não vão de todo desfeitas as ameaças que pesavam sobre os destinos da Pátria. Tudo, porém, indica que em breve tempo estaremos fruindo em sua plenitude todos os benefícios da paz, mantida e incrementada em seu desenvolvimento fecundo pelo patriotismo de todos os brasileiros dignos de tal nome. Que o ano de 96 possa dar-nos o complemento da obra tão auspiciosamente iniciada. Tais são os nossos votos.
Neste dia de íntimos júbilos e largas expansões afetivas, quando todos, olvidando o passado e esquecendo mágoas, costumam abrir a alma às doces emoções do fraterno amplexo, reverenciemos também essas tradições seculares, dirigindo saudações cordiais aos colegas da imprensa e transmitindo ao generoso povo rio-grandense os protestos do reconhecimento que nos há conquistado, pelo apoio franco, decisivo e honroso com que vai estimulando o Correio do Povo a ser o que até aqui tem sido — uma folha que justifica o seu título, independente, livre e compenetrada dos seus deveres.”
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O dia 1º de janeiro na história
- 1502 A Baía de Guanabara é explorada pela primeira vez pelos portugueses.
- 1739 A ilha Bouvet, a mais remota do planeta, localizada no Atlântico Sul próxima ao círculo polar antártico, é descoberta pelo navegador francês Jean-Baptiste Charles Bouvet de Lozier.
- 1804 Termina o domínio francês no Haiti, que se torna o segundo país independente da América.
- 1808 Os EUA proíbem por lei a importação de escravos.
- 1818 O romance gótico “Frankenstein, ou o Moderno Prometeu”, da escritora inglesa Mary Shelley, é publicado.
- 1863 Nasce em Paris o barão Pierre de Coubertin, idealizador das modernas olimpíadas e fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI).
- 1885 A convenção dos fusos horários proposta pelo engenheiro escocês-canadense Sandford Fleming é adotada por 25 países.
- 1890 A Itália consolida o domínio colonial sobre a Eritreia.
- 1892 Ellis Island, na baía de Nova Iorque, começa a funcionar como centro de processamento de imigrantes nos EUA.
- 1899 Termina o domínio colonial espanhol sobre Cuba.
- 1900 A Nigéria se torna protetorado britânico.
- 1901 Seis colônias britânicas autogovernadas formam uma federação, dando origem à Austrália.
- 1912 A República da China é estabelecida após a revolução do ano anterior que encerrou a história imperial do país.
- 1934 Lei de limpeza étnica entra em vigor na Alemanha nazista.
- 1946 Nasce em São Paulo o jogador Roberto Rivellino, campeão com a Seleção Brasileira em 1970.
- 1956 O Sudão adquire a independência do Egito e da Grã-Bretanha.
- 1958 Estabelecida a Comunidade Econômica Europeia.
- 1959 Fulgencio Batista, ditador cubano, é derrubado pelas forças revolucionárias de Fidel Castro.
- 1960 Camarões adquire a independência da França e da Grã-Bretanha.
- 1962 Samoa Ocidental adquire a independência da Nova Zelândia.
- 1964 A Federação da Rodésia e Niassalândia é dividida e origina as repúblicas independentes de Zâmbia e Malawi.
- 1971 A publicidade de cigarro e produtos de tabaco é banida da TV nos EUA.
- 1983 Protocolo de comunicação entre computadores é estabelecido, criando efetivamente a Internet.
- 1984 Brunei, sultanato no sudeste asiático, adquire a independência da Grã-Bretanha.
- 1993 A Tchecoslováquia deixa de existir, dando origem à República Tcheca e à Eslováquia.
- 1993 Comissão Europeia funda o Mercado Único Europeu.
- 1994 O Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) inicia doze dias de conflito armado em Chiapas, no México.
- 1994 O Tratado de Livre Comércio da América do Norte passa a vigorar.
- 1995 A Organização Mundial do Comércio é instituída.
- 1999 O euro é introduzido em 11 nações membros da União Europeia.
- 2011 Dilma Rousseff toma posse como a primeira mulher presidente do Brasil.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
