“(Comunicado da Agência Havas) Nova York, agosto de 1926. Uma centena é a cifra que Alzada Comstok estabelece no ‘American Political Science Review’ para o total das mulheres que nestes últimos anos tiveram assento como membros regulares nos diversos parlamentos europeus. Desde logo, porém — acrescenta o autor —, impõe-se a propósito destas mulheres senadoras e deputadas uma observação de ordem geográfica: é que quase todas são dos países do norte e do leste da Europa, Escandinávia, Finlândia, Alemanha. Especialmente na Alemanha, onde durante tanto tempo os três famosos K do Kaiser, Kinder, Kueche und Kirche (filhos, cozinha e igreja) tinham constituído o código da vida das mulheres, encontram-se depois da guerra nada menos de uns quarenta membros femininos do Reichstag. Uma das figuras mais influentes e mais pitorescas é a baronesa von Oheimb; não menos notável como personalidade é a ‘camarada’ Clara Zetkin, socialista. Na Tchecoslováquia, a vida política das mulheres foi assinalada pela eleição da senhorinha Alice Masaryk, unanimemente designada por todos os partidos numa espécie de homenagem nacional. Na Finlândia, a senhorinha Annie Furhjelm tem tido fecunda carreira parlamentar, já longa de quinze anos, com uma influência ainda aumentada pela direção de um grande jornal. Na Suécia, quase todas as mulheres com assento no parlamento exercem profissões ou se dedicam ao serviço social. Na Inglaterra, foi Lady Astor a primeira mulher eleita para a Câmara dos Comuns; em 1924, no governo trabalhista, havia no parlamento britânico oito mulheres: duas liberais, três conservadoras e três trabalhistas. É escusado dizer — observa Comstock — que a França, a Itália e a Espanha se têm conservado por completo arredadas deste movimento da mulher para a vida política, movimento que, manda a verdade reconhecer, mesmo nos países onde é admitido (talvez com exceção da Finlândia) está longe de produzir os resultados com que se contava.”
_
Manifesto liberal
“Conforme antecipamos, será dada publicidade amanhã em todos os jornais de importância do continente ao longo manifesto dos banqueiros e homens de negócios da Europa e da América constatando os funestos resultados para a economia do povo pelas barreiras que as pautas aduaneiras oferecem ao comércio internacional como medidas de proteção às fronteiras criadas pela guerra. O manifesto sugere o estabelecimento da liberdade econômica como meio prático adequado à restauração do comércio e do crédito mundiais. O documento traz dois anexos: um dos banqueiros franceses signatários da declaração, preconizando a rapidíssima estabilização dos câmbios internacionais, outro dos italianos, criticando todas as formas de protecionismo e de restrições à emigração.”
“O manifesto dos banqueiros apresentando sugestões para a restauração econômica e financeira da Europa tem a assinatura de vários banqueiros americanos, entre os quais a do sr. Morgan e outros. Os signatários europeus são: da Inglaterra, o sr. Norman, do Banco da Inglaterra, o sr. Mackensen, ex-ministro das Finanças, lord Luchcope e o sr. Rothschild; da Alemanha, o sr. Schacht e outros; da França, o sr. Duchemin, da União das Indústrias Químicas, o sr. Sergent, ex-subsecretário das Finanças, o sr. Laederich, síndico da indústria algodoeira e o sr. Masson, do Crédit Lyonnais. Além destes, figuram os nomes de financistas holandeses, húngaros, noruegueses, polacos e suíços. O manifesto salienta o grande prejuízo causado ao comércio com as elevadas tarifas aduaneiras e pelas restrições impostas. Acentua que a divisão territorial e política da Europa desferiu um profundo golpe no comércio internacional e criou indústrias que somente podem vingar graças às barreiras aduaneiras, constantemente reforçadas. Desse estado de cousa — acrescenta o mesmo documento — resultou uma loucura econômica que transformou completamente o comércio e a restauração da Europa só se poderá dar quando todos se convencerem de que o comércio não é uma guerra, mas um meio de permuta. O manifesto conclui com as seguintes palavras: ‘Desejamos firmar a convicção de que o restabelecimento da liberdade econômica é a melhor esperança de restaurar o comércio e o crédito do mundo’.”
“Uma pessoa autorizada a falar em nome da Casa Branca declarou que o presidente [Calvin] Coolidge não aprova o manifesto do grupo de financeiros em favor do comércio livre, alegando que o plano deles é impraticável nos Estados Unidos.”
“Ontem, os jornais liberais [britânicos] acolheram favoravelmente o manifesto dos banqueiros. Outros jornais acham ser um documento que não contém o remédio eficaz para impedir o desequilíbrio dos câmbios, fonte do mal em que se afunda o mundo.”
“A publicação do manifesto dos banqueiros e financeiros internacionais provocou na bolsa [de valores alemã], altas sensacionais dos valores.”
“Foi anunciada há dias a formação de um gigantesco ‘trust’ internacional entre banqueiros europeus e americanos com o capital de cem milhões de libras [esterlinas] e destinado a comprar ações, de forma a evitar perturbações cambiais e facilitar pagamentos entre os países devedores e credores. Explicando os fins do ‘consortium’, os seus promotores publicaram um manifesto assinado por vários representantes das indústrias e do mundo bancário da Europa e da América, apelando para o comércio livre e condenando as barreiras tarifárias, as proibições da importação e exportação, aconselhando o livre intercâmbio das mercadorias. O manifesto atribui às restrições oficiais a causa da elevação geral dos preços e o decréscimo dos créditos dos meios circulantes.”
“É sabido que o teor do manifesto financeiro foi proposto pelo presidente do Reichsbank [da Alemanha] há seis meses, por ocasião da reunião dos financistas e homens de negócios na qual se achavam representadas dezesseis nações. O sr. Schacht desejava obter para o manifesto as assinaturas de pessoas eminentes de todos os países, a fim de obrigar os políticos a considerar a situação econômica da Europa, num total de 161, inclusive as dos srs. Morgan, Notes, W. Mogarrah, Wiggin, de Nova York; o sr. Albert Thomas Perkirs, comissário das representações, 42 ingleses, entre os quais os srs. Mokenna, lord Bribery, Montagu, Norman, ‘sir’ Arthur Balfour, Lawrence, Goodenough, Lionel Rothschild, lord Pevelstoke e outros. Pelas suas nacionalidades, os signatários estão assim divididos: nove alemães, inclusive os srs. Schacht e Drazosch, nove franceses, quatorze belgas, dezesseis espanhóis, dez italianos, dezesseis austríacos, dez tchecoslovacos, sete dinamarqueses, dois húngaros, polacos, dois romenos, nove noruegueses e nove suíços. Todos são banqueiros e importantes industriais e comerciantes. O manifesto advoga fortemente o comércio livre e ataca a proibição das barreiras tarifárias como obstáculo constante à reconstrução econômica da Europa.”
_
Opinião
“O sr. Júlio Salusse, respondendo ao inquérito do ‘Correio da Manhã’ sobre a questão do divórcio, diz: ‘A moral, inseparável do direito, insurge-se igualmente contra a medida extrema do divórcio a vínculo, capaz por si de criar situações ainda mais embaraçosas e cruéis’. Acrescenta: ‘A nossa lei é sábia, não havendo necessidade de ser substituída ou modificada. A separação de corpos e bens e uma série de providências em relação à prole garantem a descendência e trazem como corolário o apaziguamento dos ódios que a ação do tempo resolve. E, não raro, acontece reconciliarem-se os desquitados, começando então para ambos uma nova fase de ‘lua-de-mel’ de raios bruxoleante, é verdade, mas ainda assim suficiente para a iluminação de um quadro de felicidade duradoura e real’.”
_
Imperícia médica
“Em virtude duma queixa levada ao promotor público da comarca de Bento Gonçalves, foi exumado hoje o cadáver do colono João Igarboza, que dizem ter morrido em consequência de imperícia médica numa intervenção cirúrgica praticada pelos médicos Euclydes Carvalho e João Kleitz, aqui residentes [Nova Prata]. Nomeados pela polícia, serviram de peritos os drs. Geraldo Grassi, Salvador Caruso e Max Donald, residentes em Alfredo Chaves [atual Veranópolis]. Ficou evidenciado, segundo estamos informados, que fora a intervenção causa eficiente e direta da morte do referido colono, cujo cadáver apresentava largos sinais de degolamento, estando cortada a carótida, além de outros vasos e nervos importantes do pescoço. Diversas pessoas que assistiram à exumação ficaram horrorizadas ante o modo por que estava golpeada a garganta do cadáver. A polícia está agindo.”
_
O dia 22 de outubro na história
- 1721 O Império Russo é proclamado por Pedro I, o Grande, após a vitória sobre a Suécia na Grande Guerra do Norte.
- 1784 A Rússia funda uma colônia na ilha Kodiak, no Alasca.
- 1797 O francês André-Jacques Garnerin realiza em Paris o primeiro salto de paraquedas bem-sucedido.
- 1811 Nasce em Doborján o compositor, pianista e professor húngaro Franz Lizst.
- 1859 A Espanha declara guerra ao Marrocos após conflitos referentes à cidade de Ceuta.
- 1866 Plebiscito ratifica a anexação das regiões do Vêneto e de Mântua à Itália.
- 1870 Nasce em Voronezh o escritor russo Ivan Búnin, prêmio Nobel de literatura em 1933.
- 1877 Explosão em mina de carvão mata 207 mineiros em Blantyre, Escócia.
- 1879 Thomas Edison testa com sucesso a primeira lâmpada elétrica incandescente.
- 1887 Nasce em Portland o escritor e jornalista americano John Reed, correspondente durante as revoluções mexicana e russa.
- 1906 Morre em Aix-en-Provence o pintor francês pós-impressionista Paul Cézanne.
- 1907 A crise financeira chamada de Pânico de 1907 provoca a queda de quase 50% na Bolsa de Nova Iorque, espalhando-se e causando bancarrota em muitas companhias e bancos.
- 1913 Nasce em Budapeste o fotojornalista húngaro-americano Robert Capa, considerado o maior fotógrafo de guerra da história.
- 1919 Nasce no Irã a escritora britânica Doris Lessing, vencedora do prêmio Nobel de literatura de 2007.
- 1920 Nasce em Massachusetts o psicólogo e escritor americano Timothy Leary, defensor do uso das drogas psicodélicas e ícone do movimento da contracultura nas décadas de 1960 e 1970.
- 1923 O fracasso do golpe monarquista Leonardopoulos-Gargalidis prepara o caminho para o estabelecimento da Segunda República Helênica na Grécia.
- 1929 Nasce em Moscou o goleiro soviético Lev Yashin, considerado um dos maiores da posição de todos os tempos.
- 1943 Nasce em Paris a atriz francesa Catherine Deneuve.
- 1947 Inicia logo após a divisão da Índia o conflito da região da Caxemira entre Índia e Paquistão.
- 1954 Morre em São Paulo o escritor e poeta Oswald de Andrade.
- 1962 O presidente americano John F. Kennedy ordena uma “quarentena naval” de Cuba após a descoberta da instalação de mísseis soviéticos na ilha.
- 1964 O escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre é escolhido para o prêmio Nobel de literatura, mas recusa a honraria.
- 1964 Comitê parlamentar seleciona o design da nova bandeira oficial do Canadá.
- 1975 A espaçonave soviética não-tripulada Venera 9 pousa em Vênus.
- 1990 Morre o filósofo marxista e acadêmico francês Louis Althusser.
- 2012 O ciclista americano Lance Armstrong perde oficialmente seus sete títulos do Tour de France após ser condenado por doping.
- 2019 A descriminalização do aborto e o casamentos de pessoas do mesmo sexo são aprovados pela assembleia da Irlanda do Norte.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
