Eis que surge, numa sentença de Nelson Rodrigues, a crudelíssima realidade: “Pode parecer uma verdade exagerada, violentada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, a glória está mais no insulto do que no elogio. Se não me entendem, paciência. Mas ouçam uma boa e honrada conversa de brasileiros com brasileiros. Reparem como nós cochichamos o ditirambo e berramos o ultraje. Por coincidência, só ultrajamos os melhores.”
A versão nos atrai mais do que o fato. A versão carrega suspeitas, é recheada de maledicência e permite delírios do raciocínio. Quanto mais apimentada, melhor. O fato é seco, árido, insípido.
O Grêmio tirou uma crise da cartola. Na entrevista que era para explicar a péssima atuação seguida de derrota para o Cruzeiro, Renato promoveu o diversionismo.
Enfiou pelo ralo o consagradíssimo clichê dos cardeais gremistas. Estes, diante de assuntos tenebrosos, silenciavam com uma sentença: "É assunto de economia interna".
Renato jogou no ventilador uma crise de relacionamento com o jovem goleiro Adriel. Precisava? Não.
Consagrado e antigo provérbio diz que "há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
Importantíssimo dirigente ainda tentou dar o assunto por encerrado. Sem sucesso. A palavra já havia sido lançada.
O caso Adriel envolve empresário, ou empresários. Renato se socorreu das redes sociais. De concreto, nada disse. Como recado, uma ameaça: "Quanto ao que certas pessoas estão dizendo, sabe-se lá a mando de quem, será resolvido dentro dos âmbitos da Lei".
Ele, costumeiro acusador de que a imprensa cria crise, fabricou uma que viralizou. Ele que a embale.
