“Acaba, enfim, de ser solucionado o conhecido caso da frequência às aulas da Faculdade de Direito. O dr. Alcides Flores Soares, fiscal do Conselho Superior de Ensino junto àquela Escola, recebeu um telegrama do dr. Rocha Vaz, diretor do referido conselho, comunicando que, conquanto prescrevesse a frequência obrigatória na Faculdade de Direito, mas acontecendo não ter sido a mesma exigida, resolveu conceder a frequência livre aos alunos matriculados no regime da chamada ‘Lei Maximiliano’, decreto 11.530, de março de 1915. Fica assim abolida a exigência de frequência às aulas da Faculdade de Direito, podendo todos os alunos prestarem exame em 1ª época. Para a consecução da almejada liberdade de frequência não pequena soma de esforços dispenderam os estudantes de Direito, como vimos noticiando. Quando, no ano passado, a Faculdade de Direito lhes impôs o regime de frequência, vários alunos matriculados na vigência da Lei Maximiliano dirigiram uma consulta ao dr. Alcides Flores Soares, inspetor federal, perguntando se a Faculdade lhes podia impor tal regime e, no caso afirmativo, qual o fundamento legal em que se baseava para fazê-lo. Essa consulta foi encaminhada ao dr. Rocha Vaz, o qual respondeu que o regime de frequência livre adotado pela Faculdade na vigência da ‘Lei Maximiliano’ não podia ser alterado para os alunos que dele aproveitavam, pois só ao Regimento Interno da Faculdade compete consagrar a frequência obrigatória. A direção da Faculdade ponderou então ao dr. Rocha Vaz que o regimento desse estabelecimento prescrevia a frequência obrigatória, que só fora efetivada, porém, no ano passado, quando a congregação resolveu fazê-lo. Os estudantes dirigiram, em princípios de junho, à vista disso, um memorial, sustentando que a Escola de Direito, quando adotara o regimento interno da sua congênere de S. Paulo, fizera restrição do preceito do mesmo que consagrava a frequência obrigatória e mantivera o regime de frequência livre observado naquele estabelecimento desde a Lei Rivadávia até o ano findo. Em setembro, o dr. Alcides Flores Soares recebeu um ofício do dr. Rocha Vaz, declarando que devia ‘ser mantido o regime da frequência obrigatória às aulas consagrado em preceito regimental, cuja observância rigorosa foi resolvida pela Congregação em 9 de maio de 1925’. Agora, outra solução acaba de ser dada ao caso, com grande prazer dos estudantes de Direito. Como noticiamos, as cadernetas de frequência foram já retiradas das aulas.”
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Estádio
“Os srs. Mussolini e Federzoni, membros do diretório fascista central e as autoridades locais inauguraram [em Bolonha] um imenso estádio de concreto chamado ‘Littoriale’, com capacidade para 50.000 pessoas. O estádio contém campos de futebol e outros jogos atléticos, bem como uma grande piscina para natação. Foi também construído um rinque de patinação com 16 metros de altura, 197 de comprimento e 103 de largura. Esta manhã, o estádio estava repleto de ‘camisas pretas’ vindos de todos os distritos vizinhos para celebrar o quarto aniversário da marcha fascista sobre Roma. Ao penetrar no estádio, o sr. Mussolini recebeu uma ovação que durou cinco minutos.”
Trata-se do atual estádio Renato Dall’Ara, onde o clube local, o Bologna FC manda seus jogos pela máxima série do futebol italiano. O nome antigo fazia referência ao “fascio littorio” (de onde o regime fascista tirou seu nome), símbolo de poder e autoridade na Roma Antiga formado por feixes de pequenos bastões de madeira amarrados com tiras de couro e uma machadinha. Diversos estádios ao redor da Itália foram nomeados Littoriale durante o período fascista. Após a derrota do regime na Segunda Guerra, o estádio adotou o nome Comunale e em 1983 recebeu o nome atual. A capacidade original foi reduzida para 36.500 lugares. O Renato Dall’Ara sediou partidas das Copas do Mundo de 1934 e 1990.
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Aeroplano
“O aviador patrício Reynaldo Gonçalves, como já noticiamos, continua realizando no Campo de Gravataí diariamente voos em seu aeroplano com passageiros. Inúmeras têm sido as pessoas que ali acorrem para voar no ‘Melindrosa’, sendo todos esses voos feitos com perícia e habilidade pelo aviador Reynaldo, que detém brevê pela Escola de Aviação de Pause, na França. Ainda ontem, no ‘Melindrosa’, que é de marca ‘Caudron’, voaram exmas. famílias e cavalheiros da nossa sociedade, tendo, a convite do aviador Reynaldo, voado também o nosso companheiro Manoel Peixoto. O aviador Reynaldo Gonçalves, quando de sua primeira tarde de aviação, destinou parte do produto da mesma, na importância de 300$000, para socorrer a viúva de um inferior da Brigada Militar, falecido há pouco em consequência de ferimentos recebidos em serviço policial. Brevemente, como já publicamos, o aviador Reynaldo realizará sua anunciada festa de aviação, que promete alcançar grande êxito. Hoje à tarde prosseguirão os voos com passageiros no campo de Gravataí. No dia de finados, o aviador Reynaldo fez um voo sobre a necrópole, deixando cair flores sobre a mesma.”
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Turismo no Brasil
“Em todos os países adiantados, o turismo tem uma organização que dá resultados magníficos, com proveitos econômicos crescentes. De finalidade industrial, acodem às solicitações do seu interesse quantos têm a deliciosa curiosidade de percorrer terras desconhecidas ou que, não sendo, têm atrativos e aspectos sempre novos. Nos Estados Unidos enormes são os capitais empregados em empresas turísticas, produzindo efeitos maravilhosos. Não sabemos de organização industrial mais patriótica, ao mesmo tempo que proveitosa à economia nacional. Entre nós, este assunto está ainda por estudar-se. Nada se tem feito. Há bem pouco — um lustro, se tanto, nem grandes hotéis possuíamos. O Rio, com a moldura panorâmica que o opulenta; as suas belezas naturais indizíveis; o caprichoso recorte orográfico, que dá às suas montanhas a singularidade de picos e cumiadas talhados à feição de um sistema bizarro; o Rio não tinha conforto para os seus hóspedes. O forasteiro podia fartar-se aqui de beleza selvagem, embriagar-se de luz, abismar-se no tumulto radioso das cores, mas não tinha onde repousar do cansaço dionisíaco… Vieram as iniciativas arrojadas — e cabe-nos salientar que brasileiras: levantaram-se grandes palácios modernos para hotéis condignos de uma vaidosa opulência. O espírito cético sorriu... Tinha que ver o Rio engalanado, como um ‘nouveau-riche’, a ostentar a suntuosidade arquitetônica do Glória e do Copacabana Palace, para hospedar... a quem?! Correram dias sobre dias. Começou, entretanto, a despejar-se da Guanabara na nossa metrópole procissão de forasteiros, de excursionistas e curiosos, que vinham conhecer-nos. Manda a verdade confessar que data de 1922 (da comemoração centenária da nossa Independência) a mais eficiente propaganda do Brasil. Aqueles forasteiros, entretanto, já não estranharam a falta de conforto. A capital civilizava-se neste particular de suma importância e intraduzível necessidade. Mas bastarão bons hotéis para satisfazer o turista? É o que pretendemos responder, explicando que, em matéria de turismo, nada temos feito. Começa por não ser o Rio apenas o Brasil, nem a nossa metrópole resumir toda a variada e rica paisagem brasileira. Quando muito, o Rio é a montra do país, onde se exibem algumas raridades indígenas. Há, em verdade, na Tijuca e no Silvestre, sugestões vivas da floresta tropical, mas a impressão é, por assim dizer, diminuta. O Brasil que se contempla ali é de miniatura. O outro estende-se por aí afora através dos imprevistos mais sensacionais; ora quedas d'água, ora matas bravias, ora descampados panorâmicos, jazidas de minério, todo um tesouro rutilante à flor da terra, à superfície das águas, à esteira ondulante e verdoenga das culturas vegetais. E para ver e admirar tudo isso — que podemos fazer? Nada. Não há meios de transporte, não há hotéis. O ‘hinterland’ brasileiro continua o ‘desertão’ da época das bandeiras. Impõem-se organizar a indústria do turismo nacional. Quem já não ouviu falar das maravilhas do Amazonas? As quedas d'água de Paulo Afonso e do Iguaçu são formidáveis. Mas, como ir conhecer essas maravilhas de nossa terra se o mais difícil é precisamente o percurso a fazer? O Rio não basta, mesmo sendo a sala de visitas do país, anda bem vestindo-se de novo e engalanando-se. Levantando seus hotéis magníficos, a Capital da República toma uma iniciativa auspiciosa. Mas não é tudo. Faz-se preciso que se organize uma sociedade de turismo, cujo programa consista em revelar o Brasil. Segundo ouvimos, já existe uma. Essa, entretanto, tem-se mostrado retraída e displicente. Num país como o nosso, só as iniciativas ousadas se compatibilizam com a enormidade do meio em que vicejam. E só assim terão força de impressionar os turistas.”
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O dia 5 de novembro na história
- 1811 O padre José Matías Delgado inicia no território do atual El Salvador o movimento de independência do domínio colonial espanhol.
- 1838 Honduras declara independência da República Federal da América Central.
- 1849 Nasce em Salvador o jurista, diplomata, escritor e político Rui Barbosa, “Águia de Haia”.
- 1872 A sufragista Susan B. Anthony desafia a lei que proibia o voto feminino nos EUA e é multada em 100 dólares.
- 1911 A Itália anexa Trípoli e a Cirenaica, regiões da atual Líbia, após declarar guerra ao Império Otomano.
- 1912 O democrata Woodrow Wilson é eleito presidente dos EUA.
- 1914 França e Grã-Bretanha declaram guerra ao Império Otomano.
- 1940 O democrata Franklin D. Roosevelt é eleito para seu terceiro mandato como presidente dos EUA, feito inédito.
- 1941 Nasce em Nova Iorque o cantor, ator e poeta americano Art Garfunkel, famoso pela parceria com Paul Simon.
- 1967 Nasce no Rio de Janeiro o rapper Marcelo D2, líder da banda Planet Hemp.
- 1968 Richard Nixon, do Partido Republicano, é eleito presidente americano.
- 1990 O rabino americano-israelense ultranacionalista Meir Kahane, fundador do movimento de extrema-direita Kach, é assassinado durante discurso em Nova Iorque.
- 1996 O presidente paquistanês Farooq Leghari destitui o governo da primeira-ministra Benazir Bhutto e dissolve a Assembleia Nacional.
- 1996 Bill Clinton é reeleito para a presidência dos EUA.
- 1997 Morre em Oxford o teórico social e político, filósofo e historiador das ideias Isaiah Berlin.
- 2006 O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein é condenado à morte em julgamento por crimes contra a humanidade.
- 2007 O primeiro satélite lunar chinês, Chang’e 1, entra em órbita.
- 2007 O Google anuncia o seu sistema operacional Android.
- 2007 Morre na Itália o ex-jogador e treinador sueco Nils Liedholm, ícone do Milan entre as décadas de 1940 e 1960.
- 2015 Desastre de Mariana: o rompimento de uma barragem em Minas Gerais provoca catástrofe ambiental, matando 19 pessoas.
- 2024 Donald Trump se torna o primeiro presidente americano a ser reeleito para dois mandatos não consecutivos desde 1892.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
