Oficina de Jornalismo

Na Feira do Livro de Porto Alegre, as adaptações literárias renovam o interesse pela leitura

Das telas às estantes, o sucesso de Tremembé revela como o audiovisual influencia o consumo de livros no país

Suspenses e crimes atraem público leitor nas bancas da Feira do Livro
Suspenses e crimes atraem público leitor nas bancas da Feira do Livro Foto : Gabriela Panassal / Especial

Por Gabriela Panassal

Lançada recentemente no Amazon Prime Vídeo, a série brasileira Tremembé se tornou a produção mais assistida na história da plataforma no Brasil. O fenômeno audiovisual, inspirado no livro-reportagem de mesmo nome do jornalista Ulisses Campbell, vem influenciando as vendas de livros na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Em diversas bancas que ocupam a Praça da Alfândega, livreiros relatam a alta procura pelo título e também por outras obras que abordam crimes reais e personagens retratados na produção. Em poucos dias, os exemplares desapareceram das estantes.
“Os clientes já vêm direto pedindo o livro. E também procuram outros, da Elize Matsunaga e das outras personagens da série”, conta Elisiane Quevedo, da Viabooks Livraria. Na Amo Livros, a cena se repete. “Se a gente coloca ele na vitrine, os visitantes pegam e já levam. Não dura cinco minutos”, relata a livreira Eduarda Vargas. A livraria vendeu 20 unidades na primeira leva e, ao tentar repor o título "Tremembé: o presídio dos famosos”, recebeu a notícia de que a obra estava esgotada na editora. “Essa procura por livros sobre casos criminais sempre existiu, mas agora dobrou”, completa.

A curiosidade despertada por produções audiovisuais, que vai dos clássicos adaptados do romance aos suspenses da vida real, revela um comportamento crescente do público leitor. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), 47% dos leitores afirmam se interessar por um livro após assistirem a filmes ou séries baseadas em obras literárias.

Para Cícera Gonçalves, da Mania de Ler Bookstore, o fenômeno é bem-vindo. “A série faz uma propaganda para o livro. Quem não conhece acaba tendo interesse. É uma porta de entrada pra leitura”, observa.
Em um cenário em que o número de leitores no país diminui, e os não leitores já são maioria, segundo a mesma pesquisa do IPL, iniciativas que despertam o interesse pela literatura ganham ainda mais relevância.

A Feira do Livro, com seu ambiente de encontros, debates e curiosidade, também cumpre esse papel de mostrar que, mesmo em tempos de telas e celulares, a literatura resiste, se reinventa, se “multiplataformiza” e segue encontrando seus leitores.

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*Supervisão Mauren Xavier