Por João Felipe Rosales*
É novembro, e a praça que já foi rio hoje abriga um mar imenso de livros. Formam-se vielas entre os estandes dos livreiros e as bancas dos artesãos que, da Alfândega, já fizeram casa. As histórias que ali existem não são apenas as dos personagens que as páginas abrigam, mas também as daqueles que optaram por viver delas — ou melhor, vendendo-as.
Olhando para o pretérito daquela praça, há quem ainda sinta a dor que inundou um Estado inteiro, tal qual nas tragédias clássicas que só os autores mais astutos tiveram coragem de criar. Refletindo o presente, é para as crianças que miramos — preenchidas de fascínio ao perceberem os universos inimagináveis que podem conhecer. É nelas que o futuro é plantado, como uma semente delicadamente inserida na terra, da qual torcemos para que cresça feliz e forte.
Vivo e colorido
Mas o que seria da literatura hoje, se ela não saísse das letras — ou, pelo menos, da possibilidade disso? Para tudo ficar ainda mais vivo e colorido, o teatro adorna o que a escrita é capaz de fazer de melhor: arranca os personagens do papel e os transforma em carne e osso, como uma magia catártica que faz até as crianças de 80 anos brilharem os olhos.
Os admiradores têm a oportunidade de conhecer autores — ou seriam os autores que têm a grande honra de conhecer novas histórias? Essa não é uma pergunta sem resposta, mas com várias delas.
E, após horas e horas andando sobre as pedras históricas de basalto que ainda restam no Centro Histórico da Capital, o dia adormece na feira. Dá espaço a uma noite atípica e fria de fim de ano. Hora de ir embora — com o convite implícito daquelas milhões de histórias de que amanhã sempre é uma ótima chance de voltar.
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*Supervisão Luciamem Winck