A criação, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, de um protocolo específico para o atendimento de casos de desaparecimento de crianças, adolescentes e idosos, é uma iniciativa que merece ser comemorada. E, acima de tudo, conhecida pela população. Porque o desaparecimento de uma pessoa não é apenas um registro policial. É uma urgência humana. E, durante muitos anos, alimentou-se um mito perigoso: o de que era preciso esperar 24 ou até 48 horas para comunicar um desaparecimento. A legislação brasileira já derrubou essa falsa crença há bastante tempo. A comunicação deve ser imediata, especialmente quando envolve crianças, adolescentes e pessoas idosas, pois cada minuto perdido pode representar uma oportunidade a menos de localização. O novo protocolo gaúcho reforça justamente essa necessidade de agir com rapidez, organização e integração entre os órgãos responsáveis.
Todos os anos, dezenas de milhares de desaparecimentos são registrados no Brasil. Ao longo de mais de três décadas na atividade policial, aprendi que um bom protocolo não é apenas um documento técnico. Ele qualifica o tempo, evita desencontros, reduz improvisações e permite que cada profissional saiba exatamente o que fazer. É por isso que iniciativas como essa merecem reconhecimento público. Elas representam planejamento, responsabilidade e respeito às famílias que, de uma hora para outra, vivem o pior dos pesadelos: não saber onde está quem amam.
Mas nenhum protocolo será plenamente eficaz se permanecer restrito às repartições públicas. Precisamos levá-lo para as escolas, igrejas, empresas, associações de bairro, clubes de serviço e ambientes de trabalho. Precisamos conversar sobre ele nas reuniões de pais, nos grupos comunitários e até nas rodas de chimarrão. Informação compartilhada também é uma forma de proteção. Afinal, ninguém imagina que um desaparecimento possa atingir sua família. Até o dia em que acontece.
A segurança pública não se faz apenas com viaturas, tecnologia ou investigações. Ela também nasce da prevenção, da informação e da participação da sociedade. Conhecer esse protocolo talvez nunca seja necessário para muitos de nós. Mas, se um único cidadão lembrar do procedimento correto em um momento de desespero e isso contribuir para localizar uma criança, um adolescente ou um idoso, já terá valido a pena espalhar essa notícia. Algumas informações não servem apenas para nos manter bem informados. Servem para salvar vidas.
