Oscar Bessi

Pena máxima

O Brasil, infelizmente, mesmo com o advento da Leia Maria da Penha (2006) e algumas (na prática, não muitas) políticas de inclusão, segue no top 10 deste desonroso ranking planetário, com um número ainda inaceitável de violência de contra a mulher registrado a cada ano. Fora a cifra obscura, os casos que nunca vêm a conhecimento público.

Feminicídios e violência doméstica são um problema global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada três mulheres sofre violência física ou sexual ao longo da vida. É demais. Temos as regiões campeãs nesta triste estatística, como a América latina e a África do Sul, além dos país sob regimes extremistas. A igualdade de gênero é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especificamente o ODS 5, que reconhece: a igualdade de gênero é um direito humano fundamental e essencial para construir um mundo pacífico, próspero e sustentável. Os países considerados mais seguros e com melhor perspectiva de vida para as mulheres são os países nórdicos Islândia, Finlândia e Noruega. Um dos fatores para isto seriam legislações firmes e educação de base. A Espanha também era considerada referência, mas o caso de um jogador brasileiro, praticamente perdoado pela justiça local de uma acusação de estupro, abalou um pouco a credibilidade do país ibérico no tema.

O Brasil, infelizmente, mesmo com o advento da Leia Maria da Penha (2006) e algumas (na prática, não muitas) políticas de inclusão, segue no top 10 deste desonroso ranking planetário, com um número ainda inaceitável de violência de contra a mulher registrado a cada ano. Fora a cifra obscura, os casos que nunca vêm a conhecimento público (e são muitos, mais do que se imagina, por isso tenho um pé e meio atrás com as estatísticas oficiais). Se considerarmos certos fatores, como uma educação forte e corajosa para inverter certas culturas nocivas, pelo jeito ainda vamos demorar muito. Pelo menos enquanto houver que confunda educação com ideologia partidária. Aí complica. Mas há muitas vontades. E muitas vontades juntas podem, hora dessas, surpreender com grandes mudanças.

Os casos de violência extrema contra crianças, usando-as para uma violência indireta contra a mulher, também têm crescido e assustado pela crueldade. Fora os casos recentes, esta semana tivemos nossa atenção voltada ao julgamento do pai que, revoltado com a separação e motivado, aparentemente, pelo ódio que sentia da ex-mulher, assassinou brutalmente quatro crianças. Seus filhos. Crianças que estavam sob sua guarda e que lhe confiavam a vida de olhos fechados. E que o amavam da forma mais pura, por mais que ele não fosse, talvez, lá um grande exemplo de pai. Essa monstruosidade chocou a todos. E a condenação a mais de um século de prisão até pode soar como um justo castigo, pelo que fez. Mas, além de não devolver as almas puras cujas vidas ceifou por uma violência tão egocêntrica e sem explicação, vamos combinar, é mais um número para enchermos os olhos e nos sentirmos “vingados”. Quantos anos mesmo, no máximo, alguém pode ficar preso no Brasil? Pois é, só 40. Todo o resto da condenação vira praticamente nada. Mas já é uma justiça, enfim. Que nos toca. Só falta tocar quem precisa investir em Educação de verdade neste país.

Mais Lidas