Em entrevista ao Correio do Povo,o presidente da Associação dos Delegados da PC gaúcha manifestou seu apoio aos servidores que estão organizando um ato reivindicatório para a próxima terça (04/10). "Excesso de operação leva policiais ao adoecimento", diz o delegado. E ele diz com a autoridade de quem lidera equipes no front há uma vida.
A função policial, em todo o mundo, é considerada das mais estressantes. Os maiores índices de estresse, depressão e suicídio estão nas forças policiais. Que não é normal, na natureza humana, viver do conflito e da violência como cotidiano. Buscar o confronto quando todos fogem dele. Encarar o ódio todos os dias em suas mais diversas manifestações. No Brasil, onde o contexto todo, cultural e legal, costuma colocar a sociedade contra a sua polícia, então, nem se fala. Os índices são altíssimos. Fora que o sistema de persecução penal é extremamente falho e frustrante.
Não há política pública eficaz sem valorização do ser humano. Tudo passa por educação e respeito. A estatística é só uma roupa que a realidade veste - e como roupa, só serve para determinadas ocasiões. Segurança Pública é feita com gente. Gente que sente, espera, ama, sofre, frsutra, tem esperança e quer ser feliz. Como qualquer outro. Só lhe cabe a nossa pior parte, a sujeira toda que resta da desorganização social em que vivemos. É a polícia que lida com isto.
Já se cortou direitos, chamando de privilégios. Já se tolheu expectativas. Já se aumentou previdência e plano de saúde - que talvez só esteja atendendo os servidores da segurança em ciades grandes, pois na minha cidade, por exemplo, não está. Isto não é valorizar quem mais precisa.
Quando um policial desrespeita um cidadão qualquer, ele é fortemente investigado. E quando não se respeita o policial? Qual a consequência?
Que os gestores públicos gaúchos ouçam com atenção e carinho os nossos policiais. Eles não querem parar de trabalhar. Eles querem continuar com os ótimos resultados. Mas eles querem, ao menos, serem valorizados. É pedir muito?
