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Estudantes do RS criam protótipos ambiciosos na Shell Eco-Marathon: “a gente vê andando, percebe a importância”

Equipes do IFRS e IFSul, de Rio Grande e Charqueadas tentam pódio na categoria elétrica

Estudantes desenvolvem aerodinâmica e propulsão
Estudantes desenvolvem aerodinâmica e propulsão Foto : Bernardo Bercht / Especial CP

A participação na Shell Eco-Marathon vai muito além da disputa por eficiência energética. Para os estudantes do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), de Charqueadas e Rio Grande respectivamente, a competição representa uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos adquiridos em sala de aula, conviver com equipes de diferentes regiões e países e enfrentar desafios que contribuem para a formação pessoal.

"De fato, o que a gente aprende, tanto na teoria quanto na prática, tem uma aplicação real. Construir um protótipo veicular, saber fazer o alinhamento correto do freio, fabricar uma peça específica dentro das tolerâncias e trabalhar com componentes elétricos e suas ligações são experiências que ampliam muito nossa formação", exalta Carlos Cravo, capitão do time Ifeco, de Rio Grande.

A equipe levou ao Rio de Janeiro um protótipo elétrico desenvolvido pelos próprios estudantes. "Quando a gente vê o carro andando, percebe a importância de cada integrante da equipe. Cada um se esforçou, e o resultado é de todo mundo", destaca Carlos.

E não é só competir, atingir uma meta que impressiona na estatística. "A gente já alcançou marcas importantes, como o segundo lugar geral na categoria de Protótipos a Bateria Elétrica. Também atingimos a marca de 297 quilômetros por quilowatt-hora. Colocando isso em uma proporção, seria mais ou menos como percorrer a distância entre Rio Grande e Porto Alegre, da nossa cidade até a capital, gastando menos de R$ 1 em energia elétrica da conta de casa", explica, orgulhoso.

Já o orientador do projeto de Charqueadas – equipe Eifchar –, Mateus Oliveira, comenta do ponto de vista da instituição. A proposta é desenvolver novas tecnologias, técnicas e ideias que possam, no futuro, ser aplicadas em veículos elétricos utilizados nas ruas. A cada edição, os alunos procuram introduzir alguma inovação no projeto e aprimorar o desempenho do carro. "Todo ano a gente tenta inovar em alguma coisa para que a tecnologia avance e para que tenhamos desenvolvimento."

O trabalho envolve estudantes do ensino médio técnico e da graduação. Dos 21 integrantes que participam da competição, três estão em cursos de nível superior e os demais são alunos do ensino médio. Há participantes com idades entre 15 e 17 anos, que encontram no projeto uma oportunidade de vivenciar, ainda durante a formação escolar, uma experiência próxima da realidade profissional.

"É uma experiência de vida. Além de estarem aprendendo muito tecnicamente, eles têm a oportunidade de trocar experiências com outros institutos de outros Estados e também com equipes de outros países", avalia o orientador. "A própria viagem ao Rio de Janeiro é uma experiência importante. Muitos alunos nunca tinham saído do Estado."

A escolha pela propulsão elétrica também está relacionada à formação oferecida pelo instituto. Conforme Oliveira, os estudantes têm maior familiaridade com circuitos elétricos, baterias e motores, o que facilita o desenvolvimento do protótipo. Ao mesmo tempo, o projeto permite acompanhar uma transformação importante do setor automotivo, diante do crescimento dos veículos elétricos.

Para os alunos, no entanto, os aprendizados ultrapassam os conhecimentos técnicos. A construção e o desenvolvimento do protótipo exigem trabalho em equipe, capacidade de solucionar problemas, tomada de decisões e adaptação diante de situações inesperadas. Durante a competição, os estudantes também precisam analisar os resultados obtidos na pista e avaliar possíveis ajustes no carro.

"Neste ano, já quebramos uma meta importante, que era passar na inspeção no primeiro dia. A inspeção é uma parte difícil da competição e conseguimos passar logo no primeiro dia", celebra.