Anelise Zanoni

Destinos Missões: 400 anos de história viva

Quatro séculos depois da chegada dos jesuítas ao território do Rio Grande do Sul, as Missões ganham evidência e se preparam para um 2026 diferente

Publicação especial 'Destinos' conecta lugares e pessoas, histórias e desejos, territórios e futuros possíveis
Publicação especial 'Destinos' conecta lugares e pessoas, histórias e desejos, territórios e futuros possíveis Foto : Divulgação / Correio do Povo

Quatro séculos depois da chegada dos jesuítas ao território do Rio Grande do Sul, as Missões ganham evidência e se preparam para um 2026 diferente. Ao celebrar a data, a região espera pelo menos duplicar o fluxo de turistas interessados em história, espiritualidade, cultura viva e experiências autênticas.

Celebrar os 400 anos das Missões Jesuíticas é reconhecer a força de um legado que moldou paisagens, práticas culturais, religiosidade e modos de viver, deixando marcas em uma região que merece ser cada vez mais visitada.

São Miguel das Missões, principal destino neste mapa, é a guardiã das ruínas reconhecidas como Patrimônio Mundial e vive um momento de renovação. A cidade investiu em qualificação de serviços, melhorou a sinalização turística, digitalizou o tradicional Espetáculo Som e Luz — com venda de ingressos facilitada por totens, Pix e cartões — e concluiu a modernização das arquibancadas.

“É a oportunidade para mostrar nossos potenciais. O turismo escolar ainda é o mais importante na região, mas para os próximos anos queremos ampliar e trabalhar a questão religiosa, cultural e histórica”, explica Rozana Fassini, secretária de Turismo, Desenvolvimento e Cultura de São Miguel das Missões.

Novos projetos devem ampliar futuramente a permanência do visitante, como a futura projeção mapeada nas ruínas e o ambicioso Parque Mundo Missioneiro, com a reconstrução de réplicas dos 30 povos jesuíticos-guaranis. Outro destaque é o Centro de Convivência Guarani, em construção na comunidade indígena local, espaço onde os povos originários poderão receber turistas, oferecer gastronomia típica e vender artesanato, fortalecendo o turismo de base comunitária.

A rede de hospedagem, com hotéis, pousadas e cabanas rurais, acompanha esse movimento de crescimento.

Em São Nicolau, primeiro ponto do território gaúcho a receber os jesuítas em 1626, a celebração tem forte tom simbólico. A cidade aposta em projetos educativos com escolas, na valorização da gastronomia regional e em eventos que conectam fé e tradição.

Destaque para a Cavalgada dos Líderes dos Santos Mártires, entre 3 e 10 de maio, que reunirá cerca de 400 cavaleiros no trajeto entre São Nicolau e o Caaró, culminando em um grande ato religioso às margens do Rio Uruguai. O município também avança em obras de restauro do histórico Sobrado Silva.

“São Nicolau está em destaque principalmente devido à história dos 400 anos, que tem a ver principalmente com a posição geográfica. Por isso, teremos eventos importantes integrados com outros municípios”, explica Rubens Figueiredo Vargas, secretário de Turismo e Cultura de São Nicolau.

Mais do que uma comemoração, o aniversário da região é também uma oportunidade para grandes descobertas turísticas e culturais, que você verá nas próximas páginas deste caderno.

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