Aos poucos, o turismo está mirando não para novos destinos, mas para novas práticas. E que notícia boa!
O turismo está cada vez mais olhando para dentro, para aquilo que sempre esteve ali e ninguém (até então) notou. Produtos singulares e autênticos, provenientes de diferentes comunidades, têm dado vida a um novo e exclusivo momento para os viajantes.
Na época em que destinos disputam a atenção dos viajantes, ingredientes e fazeres únicos tornaram-se um dos maiores patrimônios. E poucas ferramentas expressam tão bem essa singularidade quanto as Indicações Geográficas (IG), certificações que reconhecem produtos cuja qualidade, reputação e identidade estão diretamente ligadas ao território onde são produzidos.
Mais do que um selo, uma IG conta uma história e é capaz de preservá-la. Ela revela a relação entre natureza, cultura, conhecimento tradicional e comunidade. E, cada vez mais, também se transforma em um poderoso ativo para o turismo, tanto que esse foi tema da última edição do Connection Experience, em Gramado.
Em outras palavras, o viajante contemporâneo não busca apenas conhecer um destino. Ele quer entender o que torna aquele lugar diferente. Quer provar sabores autênticos, conhecer quem produz, descobrir tradições e vivenciar experiências que não poderiam acontecer em nenhum outro canto do mundo. É um verdadeiro luxo descoberto dentro de muita simplicidade.
E essa exclusividade já vive no Rio Grande do Sul, que reúne muitos exemplos dessa conexão entre território, gastronomia e turismo. De acordo com o atual diretor-superintendente do Sebrae RS, Joel Dadda, o Estado mantém hoje mais de 10% das IGs do Brasil. No seu discurso durante o evento, ele afirmou que o número tende a se multiplicar nos próximos anos, garantindo mais experiências únicas e exclusivas aos turistas.
Por aqui, os exemplos são vários: o Vale dos Vinhedos abriu caminho ao se tornar a primeira IG do Brasil. Em Pinto Bandeira, os espumantes encontram nas características naturais da região condições ideais para sua produção. E o turismo cresceu, assim como a economia local.
Mas as IGs não vivem apenas nas taças. Em Pelotas, os doces finos carregam séculos de tradição e representam um patrimônio cultural. Em Panambi, o tradicional Käsekuchen, receita herdada dos imigrantes alemães, recebeu o selo este mês e consolidou-se oficialmente como símbolo de uma história preservada.
Nos Campos de Cima da Serra, o Queijo Artesanal Serrano é um dos exemplos mais emblemáticos. Produzido há mais de 200 anos, ele traduz a paisagem, o clima, o modo de vida e o saber-fazer das famílias.
Ao valorizar produtos e culturas, as IGs fortalecem economias locais, ajudam a preservar culturas e criam o desejo de viajar. Ter ingredientes e técnicas únicas elevam a experiência e a exclusividade de uma viagem.
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Circuito com sabores autênticos
Até o dia 22 de junho é possível experimentar sabores autênticos na Serra Gaúcha. Mais de 30 restaurantes de Gramado e Canela participam do circuito gastronômico "Tem IG no Prato".
A proposta é transformar produtos com Indicação Geográfica em experiências gastronômicas para moradores e turistas. Os chefs foram convidados a criar receitas exclusivas utilizando ingredientes que carregam a identidade de diferentes territórios brasileiros. O resultado é um verdadeiro mapa sensorial do Brasil servido à mesa.
Para pequenos turistas
O United Parks & Resorts, grupo responsável pelos parques SeaWorld Orlando, Busch Gardens Tampa e outros parques, lançou seu primeiro projeto cultural para o público infantil no Brasil. O especial “O Recado da Mãe Natureza” estreou no YouTube e combina teatro, contação de histórias, bonecos e efeitos digitais para apresentar temas ligados à conservação ambiental e à proteção da vida selvagem. O conteúdo acompanha os personagens Tami e Gá em uma jornada de aprendizado sobre espécies como golfinhos, girafas, peixes-bois, rinocerontes e pinguins.
Verão nas montanhas
Uma das mais conhecidas estações de ski dos EUA, a Jackson Hole Mountain Resort, muda o visual nesta época do ano e se transforma em um playground de esportes de aventura e natureza: tem trilhas, rotas de mountain bike, voo de paraglider e a famosa escalada na Via Ferrata, que abre novas rotas nesta temporada.
De junho até outubro, os visitantes podem conferir atrações na natureza, entre atividades aquáticas como canoagem, rafting, pesca, além de safaris no Parque Nacional de Grand Teton. Além disso, a duas horas dali, é possível visitar o Parque Nacional de Yellowstone e conferir locais como a fonte termal Grand Prismatic Spring, as erupções do gêiser Old Faithful e o Grand Canyon.
