Há 25 anos, o mundo assistiu, praticamente em tempo real, a um dos acontecimentos mais traumáticos da história contemporânea. Em 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque; outro atingiu o Pentágono, em Washington; e o quarto caiu em uma área rural da Pensilvânia, depois que passageiros tentaram retomar o controle da aeronave. Quase 3 mil pessoas morreram.
O impacto, porém, ultrapassou em muito o número de vítimas. Os atentados mudaram a política externa dos Estados Unidos, desencadearam as guerras do Afeganistão e do Iraque, ampliaram a cooperação internacional contra o terrorismo e introduziram uma nova cultura de segurança. Vinte e cinco anos depois, a ameaça terrorista continua existindo, mas já não ocupa o mesmo lugar no imaginário coletivo. O cidadão comum, entretanto, continua convivendo diariamente com algumas das marcas deixadas naquela manhã.
Há 25 anos, o mundo assistiu, praticamente em tempo real, a um dos acontecimentos mais traumáticos da história contemporânea.
SEGURANÇA
Poucas mudanças foram tão perceptíveis quanto as ocorridas nos aeroportos. Depois dos atentados, os Estados Unidos criaram a Transportation Security Administration (TSA), federalizaram a segurança aeroportuária, reforçaram as portas das cabines de comando e passaram a submeter todas as bagagens despachadas a inspeção contra explosivos.
Vieram depois os scanners corporais, restrições a líquidos, controles de identidade, listas de passageiros e sistemas de avaliação de risco. Em muitos aeroportos do mundo, retirar sapatos, retirar computadores da bagagem e passar por detectores tornou-se parte da rotina. O passageiro ganhou segurança, mas perdeu tempo, privacidade e uma parcela da antiga liberdade de viajar.
GUERRA
A resposta americana não ficou restrita aos aeroportos. Poucas semanas depois dos atentados, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão para derrubar o regime Talibã, que abrigava Osama bin Laden e integrantes da Al-Qaeda. Dois anos depois, Washington invadiu o Iraque, sob a alegação de que Saddam Hussein representava uma ameaça à segurança internacional. A guerra contra o terrorismo transformou-se em uma campanha global.
Bin Laden seria morto apenas em 2011, numa operação americana no Paquistão. O Afeganistão, entretanto, voltaria ao domínio do Talibã duas décadas depois da invasão. O saldo revela uma das grandes contradições do pós-11 de Setembro: os Estados Unidos conseguiram desmantelar estruturas terroristas importantes, mas pagaram um preço enorme em vidas, recursos e desgaste político, sem eliminar o terrorismo.
COTIDIANO
Para o cidadão comum, o terrorismo passou a significar uma presença permanente, ainda que muitas vezes invisível. Câmeras, controles de acesso, revistas, vigilância eletrônica, compartilhamento de informações entre governos e maior fiscalização de fronteiras tornaram-se componentes normais da vida moderna. A privacidade passou a ser discutida como nunca antes.
Ao mesmo tempo, houve consequências sociais e políticas. Comunidades muçulmanas passaram a enfrentar suspeitas e episódios de discriminação em diferentes países. O combate ao terrorismo também abriu debates sobre até onde governos podem avançar em nome da segurança sem comprometer direitos individuais.
MEMÓRIA
Nova Iorque é hoje uma cidade reconstruída, mas não é a mesma de antes. No local onde estavam as Torres Gêmeas, o Memorial do 11 de Setembro preserva os nomes das vítimas, enquanto o One World Trade Center tornou-se símbolo de reconstrução. Nesta sexta-feira, 25 anos depois, familiares voltam a se reunir no Marco Zero para a leitura dos nomes e os tradicionais momentos de silêncio.
A cerimônia reúne uma imagem particularmente simbólica: os quatro ex-presidentes americanos vivos – Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden – participam das homenagens em Nova Iorque. Donald Trump, atual presidente, faz a sua própria cerimônia no Pentágono.
Vinte e cinco anos depois, talvez essa seja a maior lição do 11 de Setembro: o terrorismo pode ser combatido, organizações podem ser destruídas e cidades podem ser reconstruídas, mas determinadas imagens permanecem para sempre na memória de uma geração. E aquele dia mudou, definitivamente, a maneira como o mundo encara segurança, guerra e liberdade.
