A decisão da Ucrânia de invadir e atacar em território da Rússia traz no seu bojo uma nova e marcante estratégia, que é capaz de levar ao fim a confrontação iniciada por Vladimir Putin, a 24 de fevereiro de 2022. Esta estratégia pode ser medida pelas declarações do presidente Volodimir Zelensky e do seu principal assessor, Mikhailo Podoliak. Zelensky disse que a intenção é criar “uma zona tampão” dentro do território russo, para impedir as forças inimigas de entrar em território ucraniano. Já Podoliak afirmou que a intenção é trazer Putin para a mesa de negociação.
Esta negociação deixa antever uma proposta que consistiria basicamente no seguinte: “você sai do meu território e eu saio do seu”. Isto porque, até agora, a Ucrânia esteve só se defendendo e perdendo território. Na medida em que foi para o ataque criou nova situação, que a coloca, supostamente, em pé de igualdade com o inimigo.
INVASÃO
As últimas notícias dão conta de que as forças ucranianas derrubaram duas pontes na região de Kursk, algo que teria abalado a passagem de armamentos e de suprimentos para o exército russo que luta dentro da Ucrânia. Algo fundamental para conter o avanço russo, principalmente, na região do Donbas, leste do país, onde situam-se as quatro repúblicas que Putin declarou independentes, pouco antes de iniciar sua ofensiva contra a Ucrânia. As informações dão conta de que a Rússia mantém o controle sobre a maior parte da região. A Ucrânia, de sua parte, já teria tomado 82 localidades dentro do território russo, abrangendo uma área de 1.150 quilômetros quadrados. Ações que se assemelham às desenvolvidas pela Rússia dentro da Ucrânia, ou seja, com destruição de prédios e mortes de pessoas, tanto militares como civis. Além disto, a destruição das pontes impede a fuga em massa de civis que estava ocorrendo.
ARMAS DA OTAN
A porta-voz do Ministério da Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse, por meio do Telegram, que “a região de Kursk foi atingida por lançadores de foguetes de fabricação ocidental, provavelmente do sistema Himars americano”. Pois este é outro aspecto que desponta na guerra, o uso de armamentos ocidentais, fornecido por países membros da OTAN. O que gera uma indagação sobre qual vai ser o procedimento do presidente Putin, tendo em vista que ele declarou que o uso pela Ucrânia de armamentos fornecidos pela Otan significaria uma declaração de guerra contra os países membros da organização.
Torna-se lógico que essa invasão da Rússia pela Ucrânia não se constituiu numa decisão que saiu apenas da cabeça do presidente Zelensky ou de seus principais assessores. Teve dedo do Ocidente, o que se tornou mais evidente quando vários de seus países passaram a autorizar o uso de suas armas e equipamentos de combate pela Ucrânia, dentro do território russo.
CRIMEIA
Dentro dessas ações planejadas para ataque na Rússia, estaria também ataque na província da Crimeia, território que a Rússia tomou da Ucrânia em 2014. E que é uma das áreas que Zelensky reivindica de volta, juntamente com as quatro províncias do Donbas. Em setembro de 2023, a Ucrânia já havia bombardeado o quartel general da Marinha russa em Sebastopol, na Crimeia, matando e ferindo dezenas de pessoas, inclusive integrantes do alto escalão militar. Devido à fragilidade demonstrada pelos russos na ocasião, a Ucrânia estaria sendo incentivada a desenvolver novos ataques.
Como se observa, o cenário da guerra, ao mesmo tempo em que oferece uma perspectiva de uma negociação, com trocas mútuas de territórios em troca da paz, oferece, por outro lado, o risco de um perigoso incremento na guerra com uma confrontação da Rússia com os países da OTAN. O que, inquestionavelmente, seria de proporções catastróficas.
