Jurandir Soares

Índia não para de crescer

Projeção do FMI aponta que país asiático alcançará o posto de quarta maior economia do mundo em 2027

A Índia está redesenhando o mapa da economia mundial. Há pouco mais de uma década, o país ocupava apenas a 11ª posição entre as maiores economias do planeta. Em 2022, ultrapassou o Reino Unido e chegou ao quinto lugar, consolidando uma ascensão que surpreende pela velocidade e pela dimensão de seu mercado interno. Agora, uma nova projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgada nesta semana, aponta que, em 2027, os indianos deverão superar o Japão e assumir a quarta posição mundial, com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 4,52 trilhões de dólares (cerca de R$ 22,97 trilhões). É uma mudança expressiva na distribuição do poder econômico global. O avanço indiano não é obra do acaso. Resulta de uma combinação de população numerosa e jovem, expansão dos serviços, investimentos em infraestrutura, digitalização, empreendedorismo e reformas econômicas. Maior país do mundo em população, tendo ultrapassado a China, a Índia dispõe de um mercado consumidor gigantesco e de uma força de trabalho capaz de sustentar décadas de expansão. O desafio é transformar essa vantagem em prosperidade compartilhada.

SERVIÇOS

Um dos principais motores do crescimento é o setor de serviços, especialmente tecnologia da informação, desenvolvimento de programas, consultoria empresarial, finanças e terceirização de atividades para companhias estrangeiras.

A Índia tornou-se um centro mundial de serviços digitais, atraindo investimentos e exportando conhecimento.

Grandes empresas internacionais recorrem aos profissionais indianos, reconhecidos pela formação técnica e pelo domínio do inglês. Esse setor gera divisas, empregos qualificados e integração às cadeias globais de produção.

MERCADO

A dimensão demográfica é outro trunfo. Com mais de 1,4 bilhão de habitantes e uma população relativamente jovem, o país reúne milhões de potenciais consumidores e trabalhadores. A expansão da classe média alimenta a procura por automóveis, celulares, moradias, serviços financeiros e bens de consumo. Diferentemente de economias envelhecidas, a Índia tem condições de ampliar sua força de trabalho por muitos anos. Mas esse dividendo demográfico não é automático: depende de educação, qualificação profissional e criação de empregos em escala suficiente.

INVESTIMENTOS

O governo tem apostado em estradas, ferrovias, portos, energia e conectividade digital para reduzir gargalos e facilitar os negócios. A modernização da infraestrutura, os incentivos à produção industrial e a tentativa de atrair empresas que buscam diversificar suas fábricas para além da China ampliam as oportunidades. Eletrônicos, indústria farmacêutica, telecomunicações e energias renováveis estão entre as áreas estratégicas. A estabilidade macroeconômica e a força da demanda interna também ajudam a sustentar o interesse dos investidores.

DESAFIOS

A trajetória, entretanto, está longe de eliminar os problemas históricos do país. A pobreza persiste, a desigualdade é elevada e milhões de trabalhadores permanecem na informalidade ou em atividades de baixa produtividade. A agricultura ainda emprega uma parcela enorme da população, enquanto a indústria não cria empregos suficientes para absorver todos os novos trabalhadores. Também são necessárias melhorias na educação, na saúde e na participação feminina no mercado de trabalho.

DEMOCRACIA

A Índia caminha para se tornar uma das grandes forças econômicas do século XXI. A previsão do FMI confirma a dimensão dessa transformação, mas o tamanho do PIB não conta toda a história. O verdadeiro teste será converter crescimento e influência internacional em melhores salários, oportunidades e qualidade de vida para a população.

Ser a quarta maior economia do mundo será uma conquista histórica; fazer com que seus benefícios alcancem a maioria dos indianos será a vitória decisiva.

Tudo isso em um país que hoje é a maior democracia do mundo.