Rogério Mendelski

A banalidade do mal

Muito distante de justificar que o mal é insignificante, Arendt, no livro que escreveu sobre Eichmann, mostrou que o mal pode se tornar rotineiro, automático, desprovido de reflexão, quando pessoas deixam de questionar suas ações e se tornam engrenagens de sistemas opressores.

A filósofa Hannah Arendt criou a expressão “banalidade do mal” quando acompanhou, em Jerusalém, entre abril e agosto de 1961, o julgamento de Adolf Eichmann, um dos responsáveis pela logística do Holocausto. O que ela quis dizer com “banalidade”? Muito distante de justificar que o mal é insignificante, Arendt, no livro que escreveu sobre Eichmann, mostrou que o mal pode se tornar rotineiro, automático, desprovido de reflexão, quando pessoas deixam de questionar suas ações e se tornam engrenagens de sistemas opressores. Resumindo: a banalidade do mal é, portanto, a normalização da crueldade. Tomando a expressão de Hannah Arendt e trazendo-a para nossos dias de hoje, não fica difícil de definir que no Brasil temos outras banalidades como a banalidade da corrupção (corruptos são perdoados), da bandidagem, da impunidade, da crueldade, da miséria, do racismo institucional e até da violência nas torcidas organizadas. E as banalidades vão se superpondo quando a ação humana se dissocia da reflexão, deixando o mal se infiltrar silenciosamente, como na Alemanha de Hitler quando os alemães abdicaram de pensar. Estariam os brasileiros aceitando justificativas como “estava apenas seguindo ordens” ou “é assim que o sistema funciona”? Tal comportamento também foi explicado pelo escritor chinês Gao Xingjian acreditando que o medo é o responsável pela banalidade do mal: “O medo é uma força silenciosa, não precisa de gritos, pois se instala no silêncio, na dúvida, no olhar que evita o espelho”. O Brasil estaria vivendo este dilema existencial?

O mal com sarcasmo

Hannah Arendt apontou o sarcasmo de Adolf Eichmann, que dizia que matou milhões de judeus porque “apenas cumpria ordens”, como um traço de narcisismo maligno e psicopatia de uma crueldade moralmente banalizada.

MPF isenta vereadores

Os vereadores Coronel Ustra (PL) e Mariana Lescano (PP), ambos da Câmara Municipal de Porto Alegre, foram isentados pelo Ministério Público Federal (MPF) por seus discursos que defenderam o movimento militar de 1964, na sessão do dia 31 de março de 2025.

Imunidade material

O MPF concluiu que nos discursos dos dois representantes não houve incitação direta à violência, pois se utilizaram da tribuna da Câmara, espaço que lhes dá imunidade assegurada pela Constituição Federal. A acusação veio da bancada esquerdista, composta de 12 vereadores.

Bolsonarismo no Senado

Os aliados de Jair Bolsonaro podem conquistar ampla maioria na próxima eleição para o Senado. A possibilidade é admitida até por petistas próximos do presidente Lula. E tudo se deve ao voto do ministro Luiz Fux, no julgamento da semana passada no STF.

O voto de Fux

O pessoal que apoia Lula argumenta que a possível vitória dos candidatos bolsonaristas poderá se concretizar depois do voto de Luiz Fux. A sustentação será na base da perseguição sofrida por Bolsonaro conforme votou o ministro Luiz Fux.

Objetivo em 2026

O principal objetivo do PL e de outros partidos identificados, com suas 41 cadeiras é a busca por 54 vagas em 2026. Este número de cadeiras no Senado com o controle do bolsonarismo vai permitir a aprovação do impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Perda de credibilidade

A situação do Brasil entre três grandes empresas internacionais de classificação de risco não é das mais saudáveis. A justificativa é que enquanto não houver controle da dívida e das contas públicas, a economia brasileira representa risco de especulação para o capital estrangeiro.

Desde 2015

Em 2015, o Brasil perdeu o selo de bom pagador entre as grandes empresas de classificação de risco. Hoje, nosso país, segundo as mesmas empresas, a situação é muito pior.