Rogério Mendelski

A luta de Paulo Ziulkoski

Ziulkoski tem uma proposta que destina 3% de todas as emendas e transferências voluntárias dos ministérios aos municípios que nada receberam. São R$ 2 bilhões que serão distribuídos aos 1.700 municípios na proporção ao número de seus habitantes.

Conheço e acompanho o trabalho político de Paulo Ziulkoski desde que chegou na Assembleia Legislativa do RS, em 1971, como assessor do deputado Amarílio Moreira (MDB). Anos depois, já como o primeiro prefeito do novo município de Mariana Pimentel, em 1993, Ziulkoski começou a se interessar por federalismo. Em pouco tempo tornou-se um líder nacional do municipalismo, cuja luta era – e é até hoje - a implantação de um legítimo federalismo, isto é, a autonomia de estados e municípios, algo assim como dizia Jair Bolsonaro, “menos Brasília e mais Brasil”. No encontro desta semana da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em Brasília, mais uma vez, o seu presidente Paulo Ziulkoski mostrou a distância do federalismo ideal com o que hoje ocorre no Brasil. O Brasil tem 5.570 municípios, cuja maioria absoluta vive de esmolas federais, segundo Ziulkoski ao lembrar que em 2024, 1.700 cidades não foram contempladas com nenhuma emenda parlamentar, enquanto 10% do total dos municípios receberam mais da metade das verbas das referidas emendas. Mas Paulo Ziulkoski não desiste facilmente mesmo estando manietado pela concentração do dinheiro dos cidadãos em Brasília. Ziulkoski tem uma proposta que destina 3% de todas as emendas e transferências voluntárias dos ministérios aos municípios que nada receberam. São R$ 2 bilhões que serão distribuídos aos 1.700 municípios na proporção ao número de seus habitantes. Na verdade, apenas uma esmola, mas para quem mendiga com fome um pedaço de pão sempre cai bem. Não te micha, Paulo!

As vaias

O presidente Lula foi vaiado três vezes quando esteve no encontro da CNM. Os prefeitos sabem quem concentra verbas em Brasília e que continua desinteressado no federalismo. Já Bolsonaro foi aplaudido pelo mesmo auditório por causa do seu bordão “menos Brasília e mais Brasil”.

Prefeitos de pires na mão

Os prefeitos brasileiros aproveitaram o encontro da CNM para muitas visitas nos gabinetes de deputados e senadores em busca de emendas parlamentares de 2025. Como resposta ficaram sabendo que as emendas são obrigação constitucional, mas a Fazenda Nacional está segurando o dinheiro dos municípios para fazer economia.

Ainda o caso Janja

O ministro Mauro Vieira, titular do Itamaraty, em seu depoimento na Comissão de Relações Exteriores do Senado, negou haver um convite para que técnicos chineses venham a Brasil para tratar dos efeitos do Tik Tok. Sua afirmação contraria o que o disse Lula que teria pedido ajuda a Xi Jinping sobre o mesmo assunto.

Licenciamento ambiental

Noventa e oito entidades ligadas ao agronegócio e a projetos de desenvolvimento nacional publicaram um manifesto a favor do PL 2159/21 que trata da atualização do licenciamento ambiental, hoje ainda sob controle ideológico dos ecochatos.

Dá-lhe, Dino!

“Estamos vendo a tragédia social do INSS. É certo que temos fartos indícios de um consórcio deletério entre entidades representativas e agentes públicos”. Opinião do ministro do STF, Flávio Dino.

Quem avisa amigo é

O médico Samir Xaud, novo presidente da CBF, responde a um processo de improbidade administrativa por supostas fraudes quando era diretor-geral do Hospital Geral de Roraima. Xaud afirmou, por meio de seus advogados, que o processo não mostra “qualquer indício de irregularidade”.

Efeito Orloff gaudério

Diz a lenda que um dia o Rio de Janeiro encontrou o Rio Grande do Sul e disse-lhe profeticamente: “Eu sou você amanhã!” O tiroteio da última terça-feira, nos arredores da Arena do Grêmio, é a profecia se materializando.

Direita argentina

A vitória dos candidatos de Javier Milei nas eleições legislativas da Argentina consolidam a posição do atual presidente como o maior líder latino-americano da direita no continente. Maurício Macri, o hesitante, perdeu o posto.