Rogério Mendelski

A primeira vítima

A guerra entre Irã e Israel traz à tona a primeira vítima por parte do regime dos aiatolás. Enquanto Israel transmite informações mais reais sobre o conflito, os jornais iranianos exaltam vitórias bélicas do Irã.

Em qualquer conflito – bélico ou político – a primeira vítima sempre é a verdade. Quem nos dá detalhes dessa permanente guerra de informações (hoje “enriquecida” pelas fake news) é o jornalista e escritor Phllip Knightley (Austrália, 1929-Reino Unido, 2016) no seu indispensável livro “The First Casualty” – A Primeira Vítima (Editora Nova Fronteira, 1978). A guerra entre Irã e Israel traz à tona a primeira vítima por parte do regime dos aiatolás. Enquanto Israel transmite informações mais reais sobre o conflito, os jornais iranianos exaltam vitórias bélicas do Irã. Dois jornais iranianos de língua inglesa, no domingo passado, manchetearam as suas verdades. Na primeira página do “Tehran Times” a eufórica manchete: “Israelenses nos abrigos, iranianos nas ruas”. Seu coirmão, “Iran Daily” foi mais fundo: “As portas do inferno em Israel”. No mesmo dia, a informação sobre as perdas iranianas foi revelada pelo “The Jerusalem Post”: “O Irã sofreu um sério golpe nos ataques israelenses na sexta-feira. Para Teerã, há a humilhação pública de que é vulnerável a esses ataques.” Outra informação sobre a guerra aérea: “Superioridade de Israel mantém o espaço aéreo do oeste do Irã sob controle da aviação israelense”. Nos próximos dias ou nas próximas semanas saberemos quem transformou a verdade na primeira vítima dessa guerra (mais uma) no Oriente Médio.

Haddad enfraquecido

O ministro Fernando Haddad ainda não conseguiu recuperar seu poder de articulação no Congresso Nacional. E a crítica no Senado e na Câmara está no fato de Haddad adotar medidas sem tratar antes com senadores e deputados.

Faltam agrados

Quem conhece senadores e deputados sabe que a melhor maneira de adocicar suas línguas é conversar sobre o pagamento de emendas parlamentares. Fernando Haddad não tem falado sobre elas porque está faltando dinheiro para pagá-las.

Rugidos falsos

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), fala grosso contra Haddad: “Qualquer solução (mudanças no IOF) que venha a trazer aumento de tributos sem o governo apresentar o mínimo dever de casa do ponto de vista do corte de gastos, isso não será bem aceito pelo setor produtivo, nem pelo Poder Legislativo”.

Cada vez pior

O Republicanos, partido de Hugo Motta e do governador Tarcísio de Freitas, não está satisfeito com o pacote fiscal de Fernando Haddad, assim como o MDB e o PSD. Se Haddad não abrir o cofre para as emendas parlamentares, seu projeto sobre o IOF vai ter dificuldades para ser aprovado.

Aumento salarial

Hugo Motta propôs na semana passada um projeto de lei que pode permitir a deputados e senadores aposentados em exercício receberem simultaneamente tanto o salário pela atuação parlamentar como a própria aposentadoria – além de uma nova gratificação natalina.

Piada internacional

Circulando nas redes sociais como piada e como crítica ao estado atual de violência no Brasil, dois pedidos internacionais. Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrania e Benjamin Netanyahu, premier israelense, pediram ao presidente Lula um cessar fogo no Rio de Janeiro.

Guerra de inteligência

Muito além dos combates entre Irã e Israel é visível uma guerra de inteligência no conflito. O Mossad, serviço de inteligência operacional israelense, está dando uma aula de como se age em território hostil. Todos os alvos precisos atingidos por Israel foram milimetricamente esquadrinhados pela agência. Essa guerra, o Irã já perdeu.

Alvo específico

O Mossad apontou onde estavam seis dos principais cientistas nucleares iranianos e Israel eliminou-os todos com ações certeiras e sem danos colaterais. O principal alvo do Mossad ainda é o líder maior do Irã Ali Khamenei que, na dúvida, está refugiado no bunker mais inexpugnável de Teerã.