Agora que o governador Eduardo Leite embarca no seu carro para uma nova viagem partidária, ele terá pela frente (como Roberto Carlos) uma estrada cheia de curvas para chegar ao Planalto. Desde a semana passada ele preferiu as curvas da estrada do PSD e viu pelo espelho retrovisor um amor que ele teve pelo PSDB na distância se perder. Hoje ele tenta esquecer um PSDB que ele amou por 24 anos de militância e que lhe deu dois mandatos, mas que está deixando de existir com a anunciada fusão com o Podemos. É bem provável que sua nova estrada, se fosse pelo trajeto da fusão PSDB-Podemos, não teria tantas curvas, pois esse novo partido que está nascendo tinha em Eduardo Leite o seu presidenciável favorito. As curvas da estrada do PSD têm um quebra-molas difícil de ser atravessado que se chama Ratinho Júnior, o maior nome presidenciável do partido de Gilberto Kassab e com domínio territorial de prefeitos e vereadores no Brasil inteiro. Leite já tentou uma vez no PSDB o mesmo desejo de ser presidenciável e foi abalroado numa curva por João Dória. A nova estrada que Leite já dirige nela tem outra curva chamada Tarcísio de Freitas. Um trevo reconhecido até pelo patrulheiro-chefe Kassab que admite um projeto comum de duplicação da rodovia que virando à direita pode chegar, não em Santos, como Roberto Carlos, mas em Brasília. Aí, então, Eduardo Leite, entrega o volante para o governador de São Paulo e senta no banco de carona para chegar a Brasília como senador pelo Rio Grande. Aí, então, as curvas se acabam...
Recado dado
O governador Eduardo Leite deu seu recado no discurso de sua filiação: “Não quero disputar prévias como fiz com João Dória e sim alcançar um consenso sobre o melhor nome”.
O melhor nome
O melhor nome atualmente no PSD é o governador Ratinho Junior e o melhor nome para a direita brasileira que Kassab simpatiza é o do governador Tarcísio de Freitas. Até porque Kassab é secretário estadual no governo paulista.
O sonho de Kassab
Gilberto Kassab conhece os meandros do poder. Ele tem certeza que o verdadeiro poder político do país, hoje, está em quem controlar a maioria na Câmara e no Senado. Seu partido, o PSD, é quem tem mais base eleitoral com prefeitos e vereadores no Brasil. Logo, o projeto de poder está logo ali, na primeira curva.
Ingenuidade de Leite?
Para o governador Eduardo Leite pode estar ocorrendo uma ingenuidade no seu pronunciamento de filiação no PSD. Disse ele: “Não dá mais para se viver num país onde não se pode mais falar em política. Queremos um centro onde se tem posição, projeto e se sabe o que se quer para o Brasil e se dialoga”.
Endereço errado
Eduardo Leite, um político refinado e culto, parecia estar em Zurique ou em Estocolmo onde se faz política com punhos de renda e com respeito aos eleitores. Lá em São Paulo, com todo respeito, havia um baile para se dançar de perneira. Como num sarau de ofídios.
Aqui não será diferente
No nosso Estado, o clima para a sucessão no Palácio Piratini não é muito diferente do que ocorreu em São Paulo. O candidato a candidato à sucessão de Eduardo Leite, Gabriel Souza do MDB, vai enfrentar uma oposição interna, provavelmente, por Alceu Moreira. Por enquanto, os ovos da serpente estão apenas chocando.
O porto meridional
Há uma esperança infinita no projeto do Porto Meridional, em Arroio do Sal. As forças produtivas do lado que presta deste Estado estão apostando suas fichas nesta grande obra. O perigo está na moita de alguns ambientalistas que, como se sabe, gostam de preservar lagartixas e jararacas.
Primeira vantagem
Construído o porto de Arroio do Sal, a primeira e importante economia será no trajeto rodoviário para o novo terminal. A distância entre Rio Grande e Arroio do Sal, pela BR116 é de 471,4 km, ou de oito a dez horas a menos para qualquer grande caminhão de carga chegar ao seu destino.
