Rogério Mendelski

Caiado larga na frente

Caiado já está “em campanha”. Se for eleito garante anistia aos envolvidos e processados pelo 8 de janeiro de 2023 e, se Jair Bolsonaro for condenado, promete indulto ao ex-presidente.

Não se trata de pesquisa sobre as eleições de 2026 a boa posição do governador Ronaldo Caiado, mas de sua intenção em disputar o Palácio do Planalto. E quando o assunto é o “largar na frente”, Caiado já está “em campanha”. A palavra entre aspas é porque a legislação eleitoral estabelece um calendário rigoroso para candidatos em busca de votos. Acontece que Ronaldo Caiado se assumiu como pretendente à sucessão de Lula e sua agenda de governador de Goiás mostra que em três meses já esteve em oito estados e o discurso oferecido aos eleitores é bem definido – ele é um candidato de direita assumido. Mas é importante que fique registrado: Caiado não é um cristão novo na direita brasileira. Sua identificação com valores da direita – defesa da propriedade, livre iniciativa, combate sem trégua à bandidagem – vem desde seu tempo como presidente da União Democrática Ruralista (UDR), entre 1986 e 1989, quando enfrentou invasões de terras e ajudou a mostrar para o Brasil as intenções criminosas do MST. Outro valor de Ronaldo Caiado: não está falando com subterfúgios ou narrativas. Se for eleito garante anistia aos envolvidos e processados pelo 8 de janeiro de 2023 e se Jair Bolsonaro for condenado, promete indulto ao ex-presidente. Esse “largar na frente” de Caiado tem um apelo irresistível ao grande eleitorado de Bolsonaro. Nenêm Prancha, um frasista do futebol, dizia que “quem pede recebe, quem desloca tem preferência”. Caiado está em pleno deslocamento para ganhar o Planalto.

Tudo esclarecido

Durante a pandemia, Ronaldo Caiado criticou o “negacionismo” de Bolsonaro e, mais tarde, se desentendeu com o ex-presidente nas eleições do ano passado. No entanto, Caiado já fez as pazes com Bolsonaro. Esteve com ele, no palanque, nas duas últimas manifestações realizadas em São Paulo.

Tem ou não dinheiro em caixa?

O governo federal pela boca de Fernando Haddad vive se queixando da falta de recursos e vem daí a voracidade fiscal. Mas austeridade nos gastos ainda está por aparecer.

Novos gastos

O Ministério do Turismo vai gastar 57 milhões de reais num contrato de publicidade com duas agências de propaganda para “ações de markerting”. Outros 7,4 milhões estão destinados para o próximo desfile de 7 de setembro.

TCU fiscaliza Lula

O Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que até agora, desde o início do governo Lula, só o Bolsa Família atingiu as metas do Plano Plurianual (PPA). Saúde, Educação, Infraestrutura e Previdência estão com desempenho insatisfatório.

Preocupação real e imediata

Para o professor de Economia da UNB, “mais grave que as tarifas de Donald Trump é o plano dele de atrair empresas brasileiras para os Estados Unidos”. E mostra o perigo: “Isto afeta setores como aeroespacial, aço e celulose e o Brasil precisa reagir”.

Dúvida que permanece

O novo mote da esquerda brasileira “nós contra eles” ou “pobres x ricos” tem uma falha gritante. O grito real não seria elite funcional brasileira contra o povo pagador de impostos? Tema imperdível para os debates eleitorais de 2026.

Pesquisa já mostrou isso

Uma pesquisa feita pelo PT alguns anos passados, com moradores da periferia de São Paulo, revelou que a velha luta de ‘pobres contra ricos” é apenas uma narrativa. A verdadeira luta histórica é entre Estado e cidadãos.