O principal evento sobre o clima do planeta que se realiza em Belém, a mais importante cidade da Amazônia brasileira, está carente dos principais protagonistas que “desorganizam” o meio ambiente de mais de oito bilhões de pessoas. Não há como negar que sem Donald Trump, Xi Jinping, Wladmir Putin e até do Papa Leão XIV, a COP 30 vai se repetir em sinalizações de esperança, exigências e as conhecidas frustrações. Estados Unidos e China são os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo. A ausência de seus líderes – Trump e Xi Jinping – enfraquece o peso político das negociações, embora a China tenha enviado uma delegação robusta com cerca de 300 pessoas, liderada por Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro. Putin, presidente da Rússia, também não compareceu. A Rússia é um dos principais produtores de petróleo e gás, e sua ausência limita o debate sobre transição energética e segurança energética global. O Papa Leão XIV, embora não seja um chefe de Estado convencional, tem sido uma voz moral poderosa nas questões climáticas. Sua ausência tira um componente ético e espiritual que poderia mobilizar consciências e ampliar o alcance da COP. China e Estados Unidos são responsáveis por quase 50% das emissões poluidoras e o quadro atual só será modificado pelo empenho de engenheiros e empreendedores provando tecnologicamente que a transição energética é indispensável para a sobrevivência do planeta Terra, mas sem o velho discurso que sempre transforma uma exigência vital de todos nós em retórica burocrática, que reduz o grave problema numa luta de classes.
BILL GATES
O empresário Bill Gates foi bem objetivo nessa discussão sobre proteção ambiental.“O aquecimento global é sério, mas não é o fim do mundo; prosperidade e saúde são as melhores defesas contra ele; e a inovação é mais eficaz que a penitência.”
MAIS RETÓRICA
O secretário-geral da ONU, o português Antônio Guterres, pretende arrecadar US$ 1,3 trilhão por ano para o financiamento climático até 2035. Um total de US$ 13,30 trilhões, em dez anos – uma verba fantástica, mas Guterres não apontou a fonte desse dinheiro.
COMO RESOLVER O DILEMA?
A COP30 não está fadada ao fracasso, mas sua capacidade de gerar acordos ambiciosos e compromissos vinculantes pode ser limitada pela ausência de lideranças-chave. O sucesso dependerá da força das negociações multilaterais e da pressão da sociedade civil, empresas e outros governos presentes.
A MENOS PRESTIGIADA
Das três últimas edições das COPs, a de Belém é a menos prestigiada. Em 2024, na COP29, realizada no Azerbaijão, compareceram 59 chefes de Estado e de Governo, incluindo 29 presidentes e 30 primeiros-ministros. Em Dubai, na COP28, em 2023, compareceram 150 chefes de Estado e primeiros-ministros. Neste ano, em Belém, a lista de autoridades mostra 15 presidentes, 11 primeiros-ministros e dois líderes de realeza.
AS PRESENÇAS EM BELÉM
As principais representações estrangeiras em Belém são da Alemanha, França, Reino Unido e Noruega. O total de delegações e representantes chega a 170 países, mas nada que se aproxime do que foram as COPs de Dubai e Azerbaijão.
LULA X TRUMP
O presidente Lula gosta de provocar seu colega Donald Trump. No domingo, na cidade de Santa Marta, Colômbia, Lula criticou a intervenção militar dos Estados Unidos (sem citá-lo) no combate aos traficantes que navegam no Caribe.
