Na fraude do INSS aparecem personagens envolvidos ou suspeitos de irregularidades nos descontos não autorizados dos aposentados. São conhecidos por apelidos que mais parecem alcunhas, mas peças importantes na construção da maior corrupção da história político-criminosa do Brasil, desbancando a Lava Jato, até então na pole position do campeonato das safadezas com dinheiro alheio. Por enquanto, sempre segundo informações da Polícia Federal, três apelidos despontam para uma avaliação pública onde se misturam humor e raiva. Humor pela criatividade das alcunhas e raiva de quem foi lesado pelo expediente 171. Tem o “Careca do INSS”, cuja identidade é de Antônio Carlos Camilo Antunes, dono de empresas que operavam como intermediárias dos sindicatos e associações, recebendo os recursos que eram debitados indevidamente dos aposentados e pensionistas, e repassando parte deles aos servidores do Instituto ou familiares e empresas ligadas a eles. E o “Chinelo” como é conhecido José Avelino Pereira, um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Itatiba (SP)? “Chinelo” comanda o Sindicato Nacional dos Aposentados do Brasil que nega qualquer tipo de fraude, mas ele já foi investigado pelo MPF do RS num inquérito semelhante – apropriação indébita de aposentados – ao que a PF apura agora. E, finalmente, outro apelido interessante para outro sindicato não menos interessante – Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Seu presidente é o “Cara de cavalo”, ou Milton Baptista de Souza Filho, que acumula a presidência do Sicoob Credmetal, cuja operação é oferecer empréstimo consignado aos associados. Até o momento, “Careca do INSS”, “Cara de Cavalo” e “Chinelo” são apenas suspeitos e investigados pela PF, logo são a porção de gente fina da fraude do INSS.
Parabéns, Conafer
A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), em 2019, efetuou descontos de apenas R$ 350 mil dos beneficiados do INSS. Em 2024, os valores dos descontos chegaram a R$ 277,1 milhões. A PF investiga o crescimento da receita da entidade.
Poço sem fundo
O presidente Lula reuniu seus principais ministros para discutir a fraude do INSS, mas até agora o grupo convocado para a reunião ainda não conseguiu identificar o tamanho do rombo e nem o número de pessoas lesadas. O reservado encontro foi na última terça-feira.
Briga no TCU
Ministros do TCU discutiram e alteraram o tom dos debates sobre os recursos do INSS e de entidades sindicais que não queriam o bloqueio dos descontos de aposentados e pensionistas do Instituto. Mas o TCU rejeitou os recursos e os embargos. A rejeição ocorreu na quarta-feira, depois de o processo ser retirado seis vezes da pauta pelo relator ministro Aroldo Cedraz. Não foram poucas as críticas a Cedraz por parte de alguns colegas.
Rapidez associativa
A Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) é outra entidade que cresceu muito junto ao INSS. Em 2021 quando assinou acordo com o INSS para efetuar descontos tinha apenas três filiados com um faturamento de R$ 135 reais. Em 2023 passou a ter 600 mil associados e um faturamento de R$ 30 milhões mensais. A PF desconfia da rapidez associativa da entidade.
A culpa de Bolsonaro
Líderes governistas estão preparando um dossiê para ligar o ex-presidente Jair Bolsonaro aos descontos fraudulentos do INSS. O dossiê tem um organograma que mostra assessores de Bolsonaro admitindo a criação de entidades associativas que hoje são investigadas pela PF. Já estava demorando a culpa cair no colo do “Bozo”, não é mesmo?
República sindicalista (1)
Um dos argumentos mais poderosos sobre a derrubada de João Goulart em 1964 foi o temor dos militares de o Brasil se transformar numa “república-pelego comuno-sindicalista”, conforme se noticiava na época.
República sindicalista (2)
Pode ter sido abortado o plano sinistro da tal república com o movimento militar, mas hoje o Brasil é pais que mais tem sindicatos no mundo. São 16.491 organizações sindicais conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com muito poder em Brasília e no mundo político nacional.
Alguns exemplos no mundo
Os Estados Unidos tem 191 sindicatos. Reino Unido, 190; Alemanha, 70; Argentina, 2.826; África do Sul, 190. Pergunta não ofende: não temos sindicatos demais?
