Rogério Mendelski

Hamlet e a Lei Magnitsky

No caso específico do ministro Alexandre de Moraes, que recebe seus vencimentos pelo Banco do Brasil, se sua conta não for bloqueada, a instituição poderá ser banida do sistema Swift, a rede global que conecta mais de 11 mil outras instituições financeiras em 200 países.

Os bancos brasileiros, depois da decisão do ministro Flávio Dino sobre determinações estrangeiras afirmando que elas não têm efeito automático no Brasil, encontram-se num dilema shakespeariano: cumprir a Lei Magnitsky que sancionou o ministro Alexandre de Moraes ou obedecer ao STF? A simples suposição de cumprir o ato de Flávio Dino causa calafrios no sistema financeiro brasileiro porque as multas que serão aplicadas a bancos nacionais com filiais nos EUA são assustadoras. No caso específico do ministro Alexandre de Moraes, que recebe seus vencimentos pelo Banco do Brasil, se sua conta não for bloqueada, a instituição poderá ser banida do sistema Swift, a rede global que conecta mais de 11 mil outras instituições financeiras em 200 países. Os EUA já multaram bancos em US$ 10 bilhões porque descumpriram sanções impostas pela Lei Magnitsky quando continuaram operando em países como Irã, Cuba, Sudão com clientes considerados corruptos, ditadores, terroristas e “especialistas” em evasão de divisas. Alexandre de Moraes não se enquadra em nenhum item dessas punições, mas a aplicação da lei americana baseou-se em alegações sobre “prisões arbitrárias” e “restrições à liberdade de expressão”. O Banco do Brasil que tem como cliente Alexandre de Moraes se manifestou sobre a possibilidade de ser enquadrado na Lei Magnitsky: “O banco está preparado para lidar com temas complexos e sensíveis que envolvem regulamentações globais”. Ou seja, o BB está indeciso diante da Lei Magnitsky. O dilema shakespeariano ficou expresso na manifestação do Banco do Brasil.

Dilema shakespeariano

A maior obra de William Shakespeare, “Hamlet, o Príncipe da Dinamarca”, apresenta o drama do príncipe para vingar o assassinato de seu pai, o rei da Dinamarca, que foi morto por seu próprio irmão, Cláudio, que casou com a rainha viúva. O dilema de Hamlet é o conflito entre o desejo de justiça e a incapacidade de agir sem certeza moral. A dúvida de Hamlet tornou-se um dilema existencial da literatura mundial.

Opinião de um banqueiro

O diretor de um grande banco brasileiro, entrevistado pela Agência Reuters, disse que descumprir uma decisão do Escritório de Controle dos Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) – agência do Departamento do Tesouro dos EUA – significaria ser banido do mundo financeiro internacional. “O Brasil não tem escolha”, afirmou.

Corsan/Aegea sob pressão

A perfuração de poços artesianos pela Corsan/Aegea já se encontra sob pressão da comunidade de Águas Claras, em Viamão. Mas trata-se de um movimento que já tem cunho político-ideológico sob o comando do deputado petista Adão Pretto.

Tem muita água

Viamão possui aquíferos que abastecem o município, como o aquífero Coxilha das Lombas, usado pela indústria de bebidas Ambev no distrito de Águas Claras, e aquíferos associados às rochas do Escudo Uruguaio-Sul-Riograndense. O município tem muita água para todos e muita narrativa ideológica.

Poder de fogo

Três contratorpedeiros (destróieres) americanos estão nas proximidades da costa venezuelana cujo objetivo é impedir a rota marítima dos traficantes que partem da região cocaleira para o mercado de viciados nos EUA. Essas três belonaves têm mais poder de fogo do que toda a Marinha da Venezuela.

Legitimidade do STF

Em editorial, o jornal O Estado de S. Paulo opinou sobre as decisões monocráticas do STF. “Quando um só ministro fabrica regras de alto impacto, sem debate colegiado, corrói a legitimidade do STF”.

TRF-4 tranca processo (1)

O empresário Walter Lídio Nunes foi condenado por nota publicada em novembro de 2022 pela Sociedade de Engenharia do RS (Sergs) que pedia a intervenção das Forças Armadas para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia foi do Ministério Público Federal.

TRF-4 tranca processo (2)

O advogado do empresário, Guilherme Abrão, ingressou com habeas corpus junto ao TRF-4 e o tribunal trancou o processo criminal anulando a condenação anterior. O TRF-4 reconheceu que Walter Lídio Nunes não foi o autor da nota e nem apoiou a referida nota onde seu nome aparece sem a sua autorização.