Rogério Mendelski

Lula parte para a briga

Não bastasse seu desafio contra Donald Trump – em tom de deboche, é verdade – oferecendo-lhe jabuticaba depois da taxação de 50% para os produtos brasileiros, Lula deu duas estocadas no Congresso.

O presidente Lula resolveu partir para a briga porque ganhou bons resultados nas pesquisas: a sua nova postura tem sangue nos olhos e faca entre os dentes. Não bastasse seu desafio contra Donald Trump – em tom de deboche, é verdade – oferecendo-lhe jabuticaba depois da taxação de 50% para os produtos brasileiros, Lula deu duas estocadas no Congresso. A primeira foi a sua vitória com a majoração do IOF no STF e a segunda vetando o aumento do número de deputados. A briga com o Congresso indica que Lula já venceu. Ganhou o reajuste no IOF e ao vetar o aumento de cadeiras na Câmara conquistou a simpatia até mesmo do eleitorado de direita (eu disse eleitorado e não lideranças) porque mais assentos na Casa presidida por Hugo Motta é, simplesmente, uma indecência com o dinheiro dos pagadores de impostos. Já com Trump o caso é mais grave e faltou quem soubesse dialogar para evitar o tsunami que se anuncia na economia exportadora do Brasil. Trump tem Lula atravessado na garganta desde que sua eleição foi definida pelo presidente brasileiro como “nazista com outra cara.” Agora, durante a Cúpula do Brics, Lula voltou a atacar Trump, ao dizer que “é muito equivocado e muito irresponsável um presidente ficar ameaçando os outros em redes digitais”. Se Lula de vez em quando não controla a língua, Trump tem o pavio curto e retalha na hora. Resultado? A taxação de 50% nos produtos brasileiros. O Brasil e os Estados Unidos jamais tiveram suas relações diplomáticas tão tensas como nos dias atuais e não será fácil reverter a situação atual.

Alckmin e sua missão

O vice-presidente Geraldo Alckmin está com uma missão difícil como encarregado do comitê de crise para resolver a pendenga com os EUA. Seria ele o nome mais indicado? Sua “ficha técnica” não é das mais admiradas por Trump.

A foto que complica

Alckmin representou o Brasil e na posse do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e ficou sentado ao lado dos líderes mundiais do terrorismo islâmico. Na foto do evento, Alckmin tinha como companheiros os chefes do Hezbollah, dos Houthi, da Jihad Islâmica e do Hamas.

Desconforto visível

Como se sabe, Geraldo Alckmin é católico praticante e estava com feições de desconforto, pois tinha ao seu lado inimigos mortais de sua religião. Além disso, na cerimônia ele ouviu gritos de “morte aos Estados Unidos”, “morte à Israel”.

A pesquisa

A agência Genial/Quaest mostrou em recente pesquisa que Trump não tem o direito de opinar sobre processos judiciais do Brasil como fez em relação à ação penal que tramita contra Bolsonaro no STF.

Faltou perguntar

Como reagiriam os argentinos se uma pesquisa perguntasse a eles se Lula tinha o direito de contestar, não uma ação tramitando da Suprema Corte da Argentina, mas uma decisão final, sem mais recursos, sobre a prisão de Cristina Kirchner?

PL duvida

O partido de Jair Bolsonaro, o PL, tem estrategistas que não acreditam na recuperação da popularidade de Lula. Num tom debochado definem as recentes pesquisas sobre um crescimento de apoio a Lula como “voo de galinha”.

Menos deputados federais

Se o veto do presidente Lula ao indecente projeto que aumenta as vagas na Câmara dos Deputados for mantido e a Casa continuar com 513 parlamentares, o Rio Grande do Sul ficará com sua bancada federal reduzida de 31 para 29 assentos.