Rogério Mendelski

Lula, Trump e o Brics

O Brics tem apenas duas potências que podem arranhar o poderio americano, China e Rússia, e ambas estão se valendo do Brasil para seus projetos de influência mundial para destronar o dólar como moeda circulante dos negócios do planeta.

Muito além das decisões duras do presidente Donald Trump contra o Brasil, mirando uma porção de ministros do STF com a humilhante proibição de sua entrada nos Estados Unidos, tendo Bolsonaro como pivô, está a posição do governo brasileiro no Brics. O discurso de Lula, obviamente embalado pelo pensamento atrasado de Celso Amorim, pela desdolarização do comércio exterior com a criação de uma nova moeda é que é o xis dessa grande crise entre Brasil e Estados Unidos. Há quem garanta que entre as melhores cabeças do Itamaraty a interpretação do leimotiv de Trump é o alinhamento do Brasil com a China e com a Rússia que só trará prejuízos ao nosso país como os que já estarão em vigor a partir de primeiro de agosto. O Brics tem apenas duas potências que podem arranhar o poderio americano, China e Rússia, e ambas estão se valendo do Brasil para seus projetos de influência mundial para destronar o dólar como moeda circulante dos negócios do planeta. Até os ursos do Ártico sabem que países como o Brasil, Índia, África do Sul só transitam com segurança no cenário internacional dos conflitos diplomáticos e econômicos quando adotam o não alinhamento a ideologias que tumultuam o sistema da livre iniciativa que rege o comércio entre todas as nações. Neste momento, nem mesmo China, Rússia, Índia e África do Sul, no entendimento de algumas cabeças coroadas do Itamaraty, consideram a desdolarização uma saída para acabar com a influência dos Estados Unidos. Ficar trombeteando contra o dólar é ir de encontro à lógica atual do comércio internacional. Ou ainda: tentar dar uma rasteira no dólar para atingir Trump é servir de estafeta para o projeto de dominação global da China, com parceria russa. Bolsonaro é o marisco na luta do mar contra o rochedo. Com a colaboração do STF, na visão de Donald Trump.

Ainda o BRICS

O Brasil está tão mal assessorado na sua política internacional que não se envergonhou de assinar o comunicado final da reunião no Rio de Janeiro, o qual condenou a Ucrânia por atacar áreas civis na Rússia. Até parece que foi a Ucrânia que invadiu a Rússia.

Queda que assusta

Recente relatório do FMI mostrou que o Brasil em 45 anos regrediu da 48ª para a 87ª posição no ranking de PIB per capita em paridade ao poder de compra de outros países. Este desempenho brasileiro é apenas o reflexo de más gestões dos governantes tendo como centro do problema o excesso de gastos públicos em detrimento dos investimentos privados, poucos recursos para a infraestrutura e educação de baixa qualidade.

Licenciamento ambiental (1)

O discurso ambientalista – um pouco técnico e um pouco místico tendo Curupira com base de narrativas – foi derrotado na votação do novo licenciamento ambiental. E a surpresa veio da bancada da Amazônia Legal na Câmara com a aprovação do projeto.

Licenciamento ambiental (2)

Nove estados brasileiros que fazem parte da bancada da Amazônia Legal votaram a favor das modificações no licenciamento. Foram 82% dos deputados que se colocaram contra as teses da ministra Marina Silva.

Consolidação da miséria

Eduardo Capobiano, vice-presidente da Fiesp, escreveu no jornal O Estado de S.Paulo um artigo definitivo sobre o crescimento do assistencialismo oficial à população pobre do Brasil, em detrimento dos investimentos públicos em infraestrutura.

Números que assustam

Foram investidos, em 2024, R$ 168,2 bilhões no Bolsa Família; R$ 111,1 bilhões ao Benefício de Prestação Continuada (BPC); e R$ 3, 5 bilhões ao Auxílio Gás. Um total de R$ 282,8 bilhões, ante apenas R$ 62,2 bilhões em investimentos públicos em infraestrutura.

Conclusão óbvia

Para Eduardo Capobiano, “estamos desmontando nossa força produtiva, aposentando precocemente trabalhadores e empreendedores e criando uma base econômica insustentável. No fim, uma triste ironia, os mais prejudicados são justamente aqueles que as políticas assistencialistas pretender proteger”.

Torre Eiffel à vista

Um ministro do STF que não foi identificado pelo jornal paulista Valor Econômico, diante da possibilidade de perder seu visto para os Estados Unidos, saiu-se com uma ironia: “Sempre teremos Paris”.