O Brasil, lamentavelmente, resolveu abraçar o nanismo diplomático em sua política externa. Um pequeno exemplo desta situação mostra as vagas nas embaixadas dos Estados Unidos, Ucrânia e Israel, cujos governos ainda não indicaram seus embaixadores em Brasília. Quando tradicionais parceiros internacionais deixam de apresentar seus representantes no Brasil revela-se uma sinalização de ruídos nas relações diplomáticas. Nosso país, diria qualquer diplomata, está mal na foto. Estamos em más companhias quando prestigiamos com afagos equivocados a Venezuela, Irã, Cuba e até o criminoso Hamas e, recentemente, acusamos a Ucrânia de ter bombardeado a Rússia, omitindo a invasão territorial daquele país que está apenas se defendendo de uma agressão imperialista do exército de Putin. Uma das mais consagradas posições diplomáticas do Brasil foi quando adotamos uma política externa pragmática, buscando autonomia frente às grandes potências, durante o regime militar nas décadas 1970-1980. No conceito do mundo diplomático internacional, perdemos um prestígio conquistado desde a nossa independência quando chegamos ao apogeu com a era do Barão de Rio Branco e seu talento de consolidar nossas atuais fronteiras de maneira pacífica. Nanismo diplomático é um termo forte para nossa política externa? Pode ser, mas tal diagnóstico só é usado quando um país perde relevância, influência e capacidade de articulação internacional. Ou quando acredita que conflitos dolorosos como o atual entre Ucrânia e Rússia pode ser resolvido com uma cervejada na mesa de um botequim.
Pontos a ponderar
Um diagnóstico de nanismo diplomático – serve para qualquer país – se revela quando uma nação passa a ter alinhamentos ideológicos que comprometam sua neutralidade histórica com a perda de clareza estratégica ou excesso de dispersão temática. No caso brasileiro, convém registrar também o enfraquecimento do Itamaraty como instituição técnica e profissional.
Marco Aurélio Garcia
Como assessor especial para assuntos internacionais de Lula e Dilma, Marco Aurélio, até falecer, era quem dava as cartas no Itamaraty. Lula disse, no velório de Marco Aurélio, que na política externa, Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, falava em nome do Brasil. “Marco Aurélio falava em meu nome”.
Só mudou o porta-voz
Hoje, Celso Amorim faz o papel de Marco Aurélio Garcia. O atual ministro da Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem a mesma importância no trato da nossa política internacional quanto Amorim tinha quando Marco Aurélio Garcia era a voz de Lula no Itamaraty.
Roraima assustada
O êxodo venezuelano em Roraima assusta sua população, com destaque para os moradores de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. O medo só se amplia com a guerra de gangues venezuelanas que se matam por dívidas e disputas por simpatias ou antipatias pelo regime de Nicolás Maduro.
Boicote da oposição (1)
A oposição no Congresso Nacional (PL, PP, União Brasil e Novo) não vai facilitar a aprovação do projeto que isenta do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A isenção será aprovada, mas a oposição quer retirar do texto a tributação mínima de 10% para quem tem renda anual acima de R$ 1,2 milhão.
Boicote da oposição (2)
A intenção da oposição é obrigar o governo a gastar menos para poder bancar a perda de arrecadação com a isenção. Fernando Haddad já mostrou que o Tesouro Nacional vai deixar de recolher quase R$ 26 bilhões, mas que haveria uma compensação com a nova tributação de 10% no andar de cima da sociedade brasileira.
CPMI do INSS
Já começou com acertos. O irmão de Lula, Frei Chico, não será convocado para depor a respeito da sua posição de vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, uma das entidades investigadas pela PF. Levantamento recente mostra que Lula liberou R$ 200 milhões em emendas parlamentares apenas em agosto para os titulares da CPMI. Mas Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, não vai escapar de falar na Comissão.
