Rogério Mendelski

A diretora-executiva do Fórum de Segurança Pública, Samira Bueno, criticou o Exército, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Conforme declarações de Samira Bueno, “o Exército brasileiro se recusa na prática a trabalhar de forma integrada com forças locais de segurança para barrar a entrada de ilícitos e fazer um controle mais efetivo da fronteira”. Para ela, o enfrentamento ao narcotráfico passa por controle maior das fronteiras, mas as polícias Federal e Rodoviária Federal têm baixo efetivo e enfrentam falta de recursos. A preocupação de Samira Bueno é que o Brasil faz fronteira com os três maiores produtores de cocaína do mundo – Colômbia, Bolívia e Peru – e o Exército deveria participar desse enfrentamento. Ela destacou que o efetivo da Polícia Federal é reduzido (12 mil pessoas para todo Brasil), enquanto o Exército tem uma unidade em Tabatinga com “milhares de soldados que a gente não entende muito bem o que faz”. E prossegue: “A gente precisa reconhecer que o Exército tem papel crucial no controle de fronteiras que não está sendo feito. E que o Exército não quer fazer.” Para Samira Bueno, a solução para o combate ao narcotráfico é a criação do Ministério de Segurança Pública que teve um breve momento de existência no governo de Michel Temer e que fez a diferença. “Muitos dos arranjos institucionais - concluiu Samira – se deu com a existência desse ministério”. O Exército não quis se manifestar, dizendo apenas que não comenta declarações de terceiros. Enquanto isso, o tráfico de drogas não modificou a sua logística na Amazônia.

O MINISTÉRIO

A recriação do Ministério de Segurança Pública, conforme desejo de Samira Bueno, esbarra num desentendimento entre os aliados do governo Lula. E é bem provável que o tal ministério não seja criado no atual governo.

ALCOLUMBRE X LULA

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisou divulgar uma nota para negar que divergências entre o Congresso e o Planalto são resolvidas por “ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas”. Mas é com ajuste que o Planalto tem solucionado algumas questões com senadores e deputados.

MESSIAS LAMENTA

O favorito de Lula para a vaga no STF, Jorge Messias, está se queixando para pessoas próximas sobre o desentendimento entre o Planalto e o Congresso. “Não tenho nada a ver com o impasse, mas está respingando em mim”, disse o titular da AGU.

MAIS DINHEIRO, MAIS GASTOS

O mês de outubro na arrecadação federal foi a mais alta em 30 anos. E no ano de 2025, em dez meses a receita tributária de parte dos pagadores de impostos foi de R$ 2,3 trilhões. Mesmo assim os gastos continuam estrangulando tudo o que se arrecada. E para 2026, ano eleitoral, será difícil controlar a gastança.

PENSANDO EM 2026

O encontro do PT estadual no último domingo definiu duas pré-candidaturas para as próximas eleições: Edegar Pretto para o Palácio Piratini e Paulo Pimenta para uma das duas vagas ao Senado. A outra, por causa da parceria com a esquerda gaúcha, será para Manuela D’Avila, do PSol. O MDB também já está pronto para a disputa do Piratini com o nome de Gabriel Souza e convêm lembrar que o governador Eduardo Leite pode concorrer ao Senado, pelo PSD.