Ao mesmo tempo que Lula traz da China investimentos importantes na ordem de R$ 27 bilhões, uma gafe de Janja da Silva criou um clima desagradável num “jantar confidencial” com o mandatário maior do país, Xi Jinping. Dentro de um rígido protocolo chinês, Janja pediu a palavra e interpelou Xi Jinping a respeito da plataforma Tik Tok e o seu “algorítmo de direita” que prejudica “as mulheres e as crianças no Brasil”. É claro que Xi não deve ter gostado da audácia da primeira-dama brasileira e sua resposta foi sobre a liberdade de o Brasil regulamentar as redes digitais e até bani-las do país. Mas Lula não quis ficar sem dar a sua opinião numa entrevista coletiva e defender Janja das críticas que logo apareceram na mídia brasileira, afirmando que sua mulher falou “porque ela não é uma cidadã de segunda classe”. Tal afirmação provoca uma questão: Lula quis dizer que no Brasil há cidadãs divididas em classes sociais. Se Janja é de primeira classe, onde estão as mulheres brasileiras de segunda classe? E Lula escorregou quando disse que ele mesmo pediu ao “companheiro” Xi Jinping que mandasse ao Brasil um especialista em controle de plataformas digitais. Controle, no caso, é censura mesmo e nisto os chineses são mestres. Até a primeira-dama chinesa sentiu um desconforto protocolar com a audácia de Janja de microfone em punho. Resumindo, os investimentos chineses no Brasil não foram o principal assunto do encontro “confidencial” do jantar. O prato servido não foi pato laqueado, a imprensa preferiu pato a Tik Tok. Agora, Lula quer investigar quem deixou vazar o incidente do “algoritmo de direita”.
Briga palaciana
Só se fala em Brasília sobre o vazamento do caso Tik Tok em Pequim (ou Beijing). A turma do ministro Fernando Haddad está espalhando que o ministro Rui Costa teria confidenciado o incidente para um jornalista que lá estava cobrindo a visita da comitiva brasileira à China. Mas Brasília é uma fábrica de fofocas.
Outro escândalo
Como se não bastasse a ação de ladravazes contra aposentados e pensionistas do INSS, outro escândalo está trazendo manchetes policiais sobre cisternas para famílias carentes do Nordeste.
As cisternas
Um programa de R$ 640,1 milhões do Ministério do Desenvolvimento Social para a compra e distribuição de cisternas foi executado por uma ONG de militantes petistas. A investigação é da Polícia Federal.
Mais um apelido
Apelidos ou alcunhas geralmente não pegam bem entre pessoas que negociam com governos. Depois do “Careca do INSS”, do “Cara de Cavalo”, do “Chinelo”, apareceu o “Júnior do Peixe”, apelido de Jerônimo Arlindo, ex-diretor de uma confederação investigada no escândalo do INSS. Por enquanto, “Júnior do Peixe” não tem nada contra si. Mas é mais um apelido que aparece na imprensa.
Questão de ciclos
O deputado Osmar Terra deixa o MDB depois de 40 anos por uma questão de ciclos. Terra disse que “o PT faz um ciclo vicioso” e ele vai para o PL de Bolsonaro porque o ex-presidente faz um “ciclo virtuoso no nosso país”. Isto significa que o MDB é do ciclo petista.
Jogatina a perigo
A bancada evangélica no Senado vai tentar barrar a proposta de legalização de cassinos e jogo do bicho. O presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Senado, Carlos Viana (Podemos-MG) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) lideram a ofensiva contra a jogatina.
Corruptos de segunda classe
Os atuais corruptos brasileiros estão mudando de perfil. Antes, mais refinados, roubavam dinheiro público, mas investiam em obras de arte, por exemplo. Hoje, a chinelagem de colarinho azul prefere aplicar o que rouba do povo em carrões importados.
Dedução lógica
Nem todo proprietário de carrões importados é corrupto (coisa lógica), mas todo corrupto gosta de ter na garagem uma Ferrari.
