Rogério Mendelski

O legado de Roberto Campos

Pretendo mostrar nesta coluna, algumas frases do ex-Bob Fields, um apelido que a esquerdopatia nacional atribuiu a Roberto Campos

Nada pode estar mais atual do que o pensamento crítico do ex-ministro Roberto Campos, seguramente um dos mais importantes homens públicos – e intelectual, acima de tudo – que o Brasil já conheceu. Pretendo mostrar nesta coluna, algumas frases do ex-Bob Fields, um apelido que a esquerdopatia nacional atribuiu a Roberto Campos e que, mais tarde, ajoelhou-se arrependida diante das proféticas observações do ilustre brasileiro.

Nossa Constituição

- “A Constituição de 1988 é, ao mesmo tempo, um hino à preguiça e uma coleção de anedotas”.

- “Na Constituição de 1988, a lógica econômica entrou de férias”

- “No texto constitucional, muito do que é novo não é factível; e muito do que factível não é novo”.

- “A definição de ‘empresa nacional’ é de uma patriótica cretinice”.

- “A nova Constituição é um camelo desenhado por um grupo de constituintes que sonhavam parir uma gazela”.

- “Os estudiosos do Direito Constitucional aqui e alhures não buscarão no novo texto lições sobre a arquitetura institucional, sistema de governo ou balanço de poderes. Em compensação, encontrarão abundante material anedótico”.

Meu Brasil brasileiro

- “Dizia-me um amigo, judeu americano, que os brasileiros eram os verdadeiros palestinos deste continente: nunca perdiam a oportunidade de perder uma oportunidade.”

- “Sempre achei que o Brasil se salvaria pelo silogismo. Mas poderia ser salvo pela anedota...”

- “A universidade brasileira apresenta superávit ideológico e um déficit pragmático”.

Arte política

- “O erro dos militares foi não terem feito a abertura econômica antes da abertura política; o erro dos civis foi, depois da abertura política, praticarem uma fechadura econômica.”

- “As reformas não conseguirão piorar nosso manicômio fiscal. Mas, como dizia um engraxate da Câmara, não há perigo de melhorar”.

- “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar”.

- “Democracia é ótimo; o que nos aborrece é esse negócio de precisar de votos.”

- “Em Brasília quem perder o crachá, perdeu a alma”.

Brasilidades

- “Apesar de intransigentemente privatista, advogaria a estatização da pena de morte, que é hoje indústria rentável em Alagoas e na Baixada Fluminense”.

- “Os comunistas brasileiros têm razão ao dizer que não é verdade que comam criancinhas. No ‘socialismo real’, a preferência é por matar adultos.”

- “A maioria dos brasileiros não é sem-terra, mas sem-teta”.

- “Só há uma razão para o subdesenvolvimento brasileiro: a mania de distribuir fatias impossíveis de um bolo ilusório”.

- “Os artistas brasileiros são socialistas nos dedos e na voz, mas invariavelmente capitalistas nos bolsos”.

O diplomata

- “A diplomacia é a arte de fabricar imagens”.

- “A imagem do Brasil no exterior não pode ser salva pela exibição da verdade, mas talvez possa ser melhorada pela coordenação de nossas mentiras”.

- “Perguntam-me por que, sendo diplomata, raramente comento nossa política externa. A razão é que é difícil falar sobre o inexistente”.

- “Na condução da política externa, o Itamaraty tem provado tenazmente que o conjunto pode ser menor que a soma das partes”.

Capitalismo e socialismo

- “A vantagem do capitalismo é que, por ter exemplos de sucesso, admite fracassos e tem mecanismos de correção. Para os socialistas, ao invés, o fracasso é apenas um sucesso mal explicado”.

-“Fui um bom profeta. Pelo menos melhor que Marx. Ele previra o colapso do capitalismo; eu previ o contrário, o fracasso do socialismo”.

- “O capitalismo não fracassou na América Latina. Apenas não deu o ar de sua graça”.

- “Os Estados Unidos são um inferno capitalista. O diabo é que ninguém quer sair de lá.”