Rogério Mendelski

Quem são os herdeiros do lulismo?

A situação de carência é tão preocupante entre os petistas que o próprio Lula pensa em nova chance eleitoral em 2026, mesmo sabendo que seu prazo de validade está chegando ao fim, não por falta de carisma, mas pela idade que o tempo delimita como inexorável e por não aparecer no cardápio eleitoral petista nomes de expressão nacional.

Aí está uma pergunta difícil de responder, pois não se trata apenas de um problema do presidente Lula e de seus seguidores. À exceção de Getúlio Vargas que deixou herdeiros como Jango Goulart e Leonel Brizola (entre outros menos famosos), nenhum outro presidente brasileiro teve seguidores com tanta fidelidade e tamanha identidade como o getulismo. Quem são ou foram os seguidores de Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Fernando Collor, Itamar Franco e FHC? Quando Lula venceu em 2002 e 2006, seguido por Dilma Rousseff, eleita em 2010 e 2014, que outros petistas alcançaram o status de herdeiros do lulismo? A situação de carência é tão preocupante entre os petistas que o próprio Lula pensa em nova chance eleitoral em 2026, mesmo sabendo que seu prazo de validade está chegando ao fim, não por falta de carisma, mas pela idade que o tempo delimita como inexorável e por não aparecer no cardápio eleitoral petista nomes de expressão nacional. O primeiro governo de Lula tinha ministros com potencial de sucessão no ranking petista, mas todos foram alijados por escândalos: José Dirceu, Guido Mantega e Antonio Palocci. Outros nomes podem ser relacionados no ciclo petista presidencial: Fernando Haddad, Rui Costa, Camilo Santana e quem mais mesmo? Dilma Rousseff que se elegeu duas vezes para o Planalto não tinha liderança nacional alguma, mas contava com a unção preferencial de Lula, e acabou cassada em 2016. Provavelmente, o lulopetismo está em crise porque seu líder maior ainda tem sua identidade ideológica com ideias do século passado, mesmo tendo vencido em 2022. Hoje, o Brasil está sem grandes projetos desenvolvimentistas e o que mantém Lula na esperança de reeleição é o seu olhar no retrovisor: ele não vê ninguém com o seu potencial eleitoral. Um perigo para o lulopetismo nas urnas no próximo ano. Assim como foram as eleições de 2024.

Boulos na mira

Não acreditem em paz interna no PT quando Lula busca Guilherme Boulos para uma aproximação com o petismo. Se Boulos fizer parte da reforma ministerial, podem apostar que Lula vai prestigiá-lo politicamente. E os petistas de carteirinha ficarão magoados.

Déjà-vu

É uma expressão francesa que define a sensação de já ter vivido uma situação ou estado em um lugar que nunca antes tinha estado, ou de já ter visto ou experimentado algo que, na realidade, é a primeira vez que acontece. Boulos pela sua militância entre os sem-teto em São Paulo é o déjà-vu de Lula quando ele atuava entre os metalúrgicos do ABC paulista.

Desrespeito real

O escândalo do INSS que atingiu milhões de segurados e pensionistas apenas revelou o descaso de governos com estas pessoas. Vários sintomas da ação de ladravazes nunca foram levados adiante pelos governantes avisados por técnicos que detectaram o problema.

Racha nacional do PT

A sucessão nacional no PT está conturbada e além dela em si, também nos diretórios regionais, não há consenso por nomes, com raras exceções. Pelo menos em 18 diretórios haverá disputa. Já no Diretório Nacional, Edinho Silva, mesmo com oposição interna, o ex-prefeito de Araraquara só está numa posição confortável por ser o candidato de Lula.

Os cálculos do bolsonarismo

A renovação de 54 das 81 cadeiras do Senado em 2026 é o maior sonho dos bolsonaristas. Para eles, em 2026, o bolsonarismo precisa conquistar 39 vagas. Atualmente, o grupo de direita chega a 30 cadeiras, incluindo-se aí outros senadores que não simpatizam com o governo atual.

O sonho maior

A vitória em 2022 do bolsonarismo puro foi na ordem de 56% - 15 cadeiras. Repetido este percentual, haveria uma conquista de 30 cadeiras que somadas as atuais seriam 45 lugares no Senado. Mesmo assim, ainda não haveria quorum para o impeachment de ministros do STF, cuja medida exige 54 votos dos 81 senadores. Ou uma taxa de sucesso de mais de 70%.

Novos blocos na Câmara

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre acaba de formar três blocos partidários muito parelhos. A oposição terá 12 vereadores – cinco do PT, cinco do PSOL e dois do PCdoB. Os melistas raiz ficarão com 10 vereadores – quatro do PL, três do PP, dois do Novo e um do Cidadania. O Centro Democrático, com 13 cadeiras será composto por três vereadores do MDB, três do PSDB, três do Republicanos, dois do Podemos, um do PDT e um do PSD.

Centrão municipal?

O bloco Centro Democrático será a maior bancada na Câmara e terá o mesmo poder decisório que o Centrão da Câmara dos Deputados. O prefeito Sebastião Melo poderá ficar cativo do Centrão municipal.