Rogério Mendelski

Tarifaço político

Trump não falou na sua carta, mas já existe uma investigação rigorosa sobre a falsificação do visto de entrada de Filipe Martins nos EUA. Aí estamos diante de um caso de segurança nacional americana, situação que o governo Trump adota tolerância zero.

O presidente Donald Trump só é imprevisível para quem duvida do que ele é capaz de fazer. O seu recado ao Irã para que cessasse de sua intenção de fabricar a sua bomba atômica foi muito claro. O Irã tinha um prazo, não o cumpriu e teve sua planta atômica bombardeada. Quando Trump no início da semana criticou a posição antiamericana do Brics ameaçando os países do grupo com uma nova sobretaxa de importação, ele também estava dando um recado que não vai mais admitir de seus parceiros comerciais dois discursos – o da “amizade” comercial e o do antiamericanismo. Com Trump é pão, pão, queijo, queijo. No caso com o Brasil e seu tarifaço de quarta-feira de 50% para as importações, a decisão foi política. Trata-se de uma retaliação contra as decisões do STF em relação a Jair Bolsonaro, mas sobretudo porque o nosso Supremo Tribunal Federal “emitiu centenas de ordens de censura secretas e ilegais a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”. Assim diz a carta de Trump para Lula. E se tem algo que qualquer americano não tolera é contrariar o artigo primeiro da sua constituição, onde a liberdade de expressão é cláusula pétrea de verdade. Mais um componente para crise instalada: Trump não falou na sua carta, mas já existe uma investigação rigorosa sobre a falsificação do visto de entrada de Filipe Martins nos EUA. Aí estamos diante de um caso de segurança nacional americana, situação que o governo Trump adota tolerância zero. Leia-se mais combustível na crise.

Pecuária assustada (1)

A represália de Trump atinge em cheio a pecuária brasileira que exporta 200 mil toneladas anuais para os Estados Unidos.

Pecuária assustada (2)

Informações passada para esta coluna dão conta de que todos os frigoríficos exportadores já suspenderam suas compras de gado de grandes fornecedores de carne. Tudo está suspenso, conforme comunicado dos exportadores aos pecuaristas.

Taxação violenta

O preço da carne brasileira com a taxação de 50% torna inviável o preço para os consumidores americanos. E a carne brasileira poderá ser substituída por fornecedores da Argentina, Uruguai, Austrália e Nova Zelândia.

Opção com prejuízo

A carne brasileira, uma das mais saborosas do mundo, é claro, terá outras opções no mercado internacional, por exemplo, a China. Mas neste caso será dos chineses a opção de comprá-la pelo preço que eles colocarem na nossa carne. Algo como “é pegar, ou largar”.

Camisa de força

A situação atual da carne gaúcha pode ser ampliada para os nossos calçados tão apreciados e comprados pelos americanos. Mas os preços atuais, majorados em 50% pela nova tarifa, ficarão com preços muito acima do que os consumidores dos Estados Unidos se acostumaram a pagar.

Parceria desigual

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. O primeiro é a China e o terceiro é a Argentina. Já para os americanos estamos no 41º lugar na pauta de importação dos Estados Unidos.

Mais ameaças

Donald Trump afirmou na sua carta a Lula que se o Brasil ameaçar retaliar o seu país, os Estados Unidos somarão à nova tarifa de 50%, o valor de 10% já anunciado recentemente.

Como acalmar a crise

Só a diplomacia de ambos os países poderá contornar a grave crise instalada desde quarta-feira. Arroubos verbais tanto de Trump como de Lula não acalmarão o que está posto na ordem do dia.