Rogério Mendelski

Trump ainda não ligou

Atualmente, Lula está na companhia de chefes de Estado que não são considerados por Donald Trump, como os presidentes do Irã, da Venezuela e da Nicarágua, para ficarmos com países que atacam constantemente os Estados Unidos.

“Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com Bolsonaro”, disse Lula, na última sexta-feira, em Osasco. Se a crise entre Brasil e Estados Unidos para ter uma solução amigável depender desse telefonema, o melhor para uma conciliação é tentar por outro caminho porque lá da Casa Branca ninguém vai telefonar para Lula. Atualmente, Lula está na companhia de chefes de Estado que não são considerados por Donald Trump, como os presidentes do Irã, da Venezuela e da Nicarágua, para ficarmos com países que atacam constantemente os Estados Unidos. Todos os países tarifados pela nova política de confronto de Trump, como China, México, Comunidade Europeia e Reino Unido, entre outros, evitaram uma reação no mesmo tom e conseguiram pela negociação uma diminuição das tarifas alfandegárias aplicadas a eles. Diplomaticamente, quem negociou recebeu de Trump um tratamento que proporcionou a todos um alívio em suas respectivas exportações para os Estados Unidos. O Brasil está com duas frentes de negociação com os Estados Unidos: a missão de oito senadores que age por conta própria no plano parlamentar – encontros no Congresso americano – e com o vice Geraldo Alckmin que no entendimento de Lula é um “exímio negociador”. Faltam três dias para o início da taxação de 50% aplicada ao Brasil e até lá, dificilmente, a tarifa poderá ser reduzida. Mas o estilo trumpista é imprevisível e tudo pode acontecer até a próxima sexta-feira, menos um telefonema dele para Lula.

A posição brasileira

Entre todos os países tarifados por Donald Trump, o Brasil, na voz de Lula, é o que mais esboça reações e aumenta o tom de confronto como se nosso país estivesse liderando um bloco internacional antiamericano.

Pouca diplomacia

Lula não tem adotado uma boa diplomacia com Donald Trump. Antes da eleição apoiou publicamente a candidata Kamala Harris e afirmou que a vitória republicana significaria “a volta do fascismo com outra cara”. E, recentemente, afirmou que Trump deveria “falar manso se quiser ser respeitado”.

Habilidade mexicana

Donald Trump tem tratado o México com desrespeito quando fala dos migrantes que passam pela fronteira americana e com o narcotráfico mexicano. Mesmo assim, a presidente Cláudia Sheinbaum fez algumas concessões como a de aumentar a repressão ao tráfico de drogas. Ela mandou 10 mil soldados para diminuir o dilema fronteiriço.

Agrado francês

O presidente francês Emmanuel Macron agiu com mais diplomacia sobre o tarifaço. Convidou Donald Trump para os festejos de 14 de julho ao seu lado no grande desfile militar da data nacional da França.

Como enfrentar Trump

Quase todos os países atingidos pelo tarifaço estão adotando uma política sem confronto com Donald Trump. Tais países aceitam fazer concessões e promessas de acordo com o presidente americano. Assim é provavelmente certo que as concessões, mais tarde, até poderão ser amenizadas, mas Trump ficará com a sensação de ter imposto sua política alfandegária.

Licença ambiental

Ainda não ficou definida a posição de Lula sobre a flexibilização do licenciamento ambiental. Duas correntes brigam dentro do governo. Os que querem o veto presidencial e defendem a ministra ambientalista Marina Silva e os que apoiam a sanção integral do projeto aprovado pelo Congresso.

Atração a jato

O colunista político Leandro Mazzini disse em sua coluna de Brasília para diversos jornais brasileiros que o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, não pode ver um jatinho da FAB que “pula para dentro”. Recentemente, Barroso teve um jato da FAB à disposição entre 17 e 22 deste mês para fazer palestras no recesso do Judiciário.

Dinheiro pelo ralo

Uma auditoria do TCU identificou, entre 2016 e 2025, o pagamento de R$ 4,4 bilhões para pessoas mortas. O valor é referente a benefícios previdenciários, trabalhistas e Bolsa Família.