Rogério Mendelski

Trump presidente e empresário

A situação exigia uma cirurgia delicada, pois a população, cada vez mais, dependia de produtos vindos do exterior, com a China já dominando até as rotas de navegação. Para Trump estava na hora de suspender a segurança do mundo, uma terceirização caríssima sem a contrapartida de seus aliados.

Donald Trump se elegeu presidente dos EUA, mas está agindo como o empresário de sucesso que sempre foi. O eleitorado americano lhe deu a Casa Branca no modo cabelo-barba e bigode, entregando a ele também a maioria no Congresso. Ou seja, confiança absoluta no que estampava o seu boné: “Faça a América grande outra vez” (“Make America Great Again”). Trump encontrou o país com inflação, dívida pública assustadora, tecnologia sendo transferida para outros países sem qualquer controle, inclusive por empresas americanas, com especial mudança para a China. A situação exigia uma cirurgia delicada, pois a população, cada vez mais, dependia de produtos vindos do exterior, com a China já dominando até as rotas de navegação. Para Trump estava na hora de suspender a segurança do mundo, uma terceirização caríssima sem a contrapartida de seus aliados. E o presidente-empresário começou a cortar gastos como estava muito óbvio no seu vitorioso programa de governo e como chefe de estado criou um sistema de tarifas aos bens que entravam no país com os seguintes objetivos: 1- As novas tarifas aumentariam a arrecadação e diminuiriam os gastos públicos; 2- Mais competitividade à indústria americana; 3- O retorno das indústrias que fugiram do país; 4- Atração de novos investimentos industriais e, por último, a busca do desenvolvimento tecnológico americano que migrou para outros países. Trump já tem os primeiros resultados financeiros de sua gestão arrojada e o povo americano está entendendo que sua vida começa a mudar para um futuro mais confortável.

Primeiros resultados

O governo norte-americano arrecadou um total de US$ 100 bilhões em receitas tarifárias, desde o início do tarifaço, em abril — três vezes o valor arrecadado durante os mesmos quatro meses do ano passado.

Fim de uma era

Governos anteriores ao de Trump, seguindo o conceito de liberalismo econômico, adotaram o desfrute da globalização com crescimento e bem-estar da sua população, mas com um efeito lento e demolidor da economia produtiva dos EUA.

O barato saiu caro

A globalização e a então política econômica de comprar onde fosse mais barato, provocou uma transferência de produção onde se concentravam os baixos custos e os EUA deixaram de ser um polo de desenvolvimento tecnológico.

Cortes corajosos

O governo Trump também promoveu o corte de dinheiro público mais polêmico de sua gestão. Nem a Universidade de Harvard escapou da tesoura econômica do presidente americano. Foram cortados US$ 450 milhões, com a ameaça de chegar até US$ 1 bilhão.

Alegação ideológica

Donald Trump alegou que os cortes são uma resposta a supostas atitudes antissemitas e falta de diversidade em Harvard, enquanto a universidade contesta as acusações e argumenta que os cortes violam a Primeira Emenda e a liberdade acadêmica.

O Trump argentino

O presidente argentino Javier MIlei adotou medidas semelhantes as que Trump está fazendo, só que antes dele. Cortando gastos públicos e demitindo funcionários inúteis, Milei reduziu a inflação para abaixo de 2% ao mês, já no terceiro mês consecutivo neste ano.

A queda da inflação

A derrubada da inflação argentina mostra que ela caiu nos últimos doze meses para o seu nível mais baixo desde dezembro de 2020. Milei quer a inflação abaixo de 2% para eliminar os prejuízos nos negócios e aumentar os investimentos.

Dados coletados

Os dados sobre a política econômica do governo Trump foram pesquisados no site Oxford Letter que o colunista recebe periodicamente e na imprensa internacional.